Reflexões da Palavra – 17º Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A | Leituras: 1Rs 3,5.7-12 – Sl 118 – Rm 8,28-30 – Mt 13,44-52

As leituras deste domingo continuam a falar sobre o Reino de Deus que constitui o mais essencial da pregação de Jesus. Como nos domingos anteriores, também neste, temos pequenas e simples parábolas que concluem o discurso de Jesus sobre o Reino.

  • o Reino de Deus é como um tesouro escondido no campo e um homem o encontra, vende tudo e compra aquele campo…
  • o Reino de Deus é como um comprador que procura pérolas preciosas e ao encontrar uma de grande valor ele vende tudo que possui e compra aquela pérola…
  • o Reino de Deus é como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todos os tipos e uma vez na praia, os pescadores separam os peixes bons e os que não prestam…

Vimos que o Reino é como o fermento que leveda o pão, como uma pequenina semente que cresce e torna-se uma árvore frondosa. O Reino de Deus é um mistério que Jesus dá a conhecer aos seus discípulos, aos pequenos, aos oprimidos e fatigados. Quem o encontra vende tudo para possuí-lo. Nem todos conseguem entender isto.

O Reino de Deus não consiste na restauração da monarquia de Davi, nem numa compensação de tipo nacionalista, como pensaram os algozes romanos de Jesus. Este foi um dos motivos da sua morte. A Palavra “Reino” é uma palavra política e os poderosos temiam perder seus domínios e suas influências, para um novo “Rei”, no que Jesus tranquilizou-os: “O meu Reino não é deste mundo!”. Comparando o Reino com a semente, o grão de mostarda, o fermento, Jesus quer dizer que ele está presente, já no meio de nós, mas ainda longe de sua plena realização, definitiva. Podemos percebê-lo apesar da sua discrição, simplicidade, na sua quase invisibilidade como o fermento no pão! Podemos percebê-lo nas pessoas que lutam para salvar as vidas nos hospitais; para sensibilizar os corações à partilha, ao acolhimento dos pobres e pequenos. Podemos senti-lo nas mãos que acolhem os mais fracos, que lutam por uma educação digna e de qualidade para todos, que dão a vida para defender a causa dos povos originários de nosso país. São muitos os sinais do Reino já no meio de nós…mas são também muitos outros sinais que apagam, sufocam – como o joio – as iniciativas que fazem o Reino crescer, estabelecer-se neste mundo onde o Reino tantas vezes é sufocado! A primeira leitura do livro dos Reis conta a oração de Salomão, uma oração simples e humilde pedindo sabedoria para praticar a justiça: isto agradou muito ao Senhor e por isso Ele lhe concedeu um coração sábio e inteligente, digno de um rei, para governar seu povo! Parecem bastante atuais estas leituras quando comparamos os sinais do Reino com os sinais do anti-Reino que impedem que ele se instaure e se fortifique: tantas mortes, tantas polêmicas, tantas tramas contra o povo, tantas operações para desmantelar corrupções, tantas mentiras, tantas… tantas… onde está Salomão? Onde estão aqueles que devem nos governar com sabedoria e justiça?
Ainda que tenhamos consciência de que o Reino de Deus ultrapassa as realidades sociológicas deste mundo, ele não é “outro mundo”, é continuidade deste… começa aqui, e se estabelecerá plenamente no mundo futuro, na Nova Criação, a Jerusalém Celeste, terra em que haverá leite e mel com fartura, onde a morte não reinará e o sofrimento não terá lugar. Mas o tempo de semear é agora… de jogar as redes e trazer o que vier… de procurar os tesouros e as pérolas de grande valor!

Em tempos difíceis como estes que estamos vivendo, parece ironia falar do Reino que Jesus anunciou, encarnou e instaurou com a sua chegada. Parece… mas as parábolas vêm nos animar, dar esperança e abrir os olhos para os tantos sinais que às vezes não conseguimos ver! Temos muitos sinais a serem vistos, buscados e imitados… Existem muitas pequenas coisas que podemos fazer para tornar visível a presença do Reino entre nós. E, como Salomão, peçamos ao Senhor sabedoria para praticar a justiça e voz para denunciarmos as práticas injustas que retardam a chegada do Seu Reino.

Que seja assim. Beijos no coração.

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