Irmãos indígenas e suas lutas, que são nossas: presença marcante no 14º Intereclesial

Por Marcelo Chalréo e Ana Paula Carnahiba

 

O 14ª Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base conta com a presença de inúmeras etnias indígenas, dentre as quais Kainkang, Pataxó, Tupinambá, Guarani Kaiowa entre outras, que vêm de várias regiões e estados brasileiros, irmanados que estão entre si e com os movimentos sociais e populares.

No encontro, eles e elas têm pautado sua atuação e intervenção com suas demandas específicas, centrado no tema da territorialidade, ou seja, na demarcação das terras indígenas e nos direitos específicos a que fazem jus, como por exemplo na áreas de saúde e educação, sem olvidar da particular situação dos indígenas que vivem nas áreas urbanas das cidades, onde, registre-se, na sua imensa maioria se situam nas periferias, sofrendo toda a sorte de preconceito e discriminação.

Os indígenas que vivem nas cidades brasileiras muitas vezes têm sofrido duplo discrimine, isto é, por serem pobres e por serem indígenas, o que por óbvio acarreta uma situação de extrema vulnerabilidade, isso quando não são vítimas de violentas ações, como assassinatos e tortura, como recentemente se verificou no litoral catarinense com a morte de um professor indígena da etnia Xokleng, violentamente espancado por um homem branco.

Fábio Titiah, da etnia Pataxó-Hãhãhãe, da aldeia Caramuru em Pau Brasil na Bahia, é um forte expoente entre seus parentes.  No encontro ele denuncia o agronegócio, as bancadas ruralista e evangélica que sustentam o governo atual na ideia de atacar direitos constitucionais indígenas, garantidos pela Constituição de 1988, como a terra, a cultura e a tradição. “Nossos direitos estão sendo jogados fora depois que conquistamos tudo isso com tanta luta, suor e mortes.”

Nessa linha, a presença de várias etnias indígenas na 14ª Intereclesial também se revela, como nos relataram, em importante momento para também se articularem em buscas da otimização da sua luta e para o enfrentamento das dificuldades vivenciadas no seu dia a dia, sem embargo de ser também um espaço para dar um pouco mais de visibilidade à causa indígena.

Rodrigo Luiz Tupã, da etnia Guarani, veio mostrar, com orgulho, a capacidade que o indígena tem. Ele passou no vestibular pra Medicina na Universidade Estadual de Londrina. Terminando o curso, volta para sua comunidade para dar a devolutiva, ou seja, retorna o investimento que a comunidade fez nele. “Além de ajudar o meu povo quero mostrar que eu estou no curso de medicina para provar que o indígena é capaz e dar visibilidade para os nosso parentes, estimulando outros a fazer o mesmo.”

A participação dos indígenas também serviu para esclarecer algumas atitudes que temos.  Muitos vieram dizer aos delegados e delegadas como se sentem “Gostaria de dizer que não queremos ser vistos como objetos de decoração, vocês vem tiram fotos e ficam curiosos. Para fazer a interreligiosidade nós queremos que os indígenas sejam ouvidos, todos os regionais tem índios, queremos que nossas celebrações e nossas reivindicações sejam realmente incluídas nas CEBs”, desabafa Carmem Santana da etnia Sateré-Waué, em Manaus/AM.

Portanto, para além das atividades nas quais estão intimamente entrelaçados no 14º, o que já representa qualitativo avanço do ponto de vista da organização e participação das e nas células da Igreja, há a justa expectativa de que haja um parceiro e forte incremento na articulação com espírito social, solidário e fraterno que inspira as CEBs. Carmem Santana da etnia Sateré-Waué, em Manaus/AM é coordenadora das CEBs  da Arquidiocese de Manaus, o que garante representatividade e voz no regional e a fortalece a buscar outros espaços para levar o clamor do seu povo.

 

 

 

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