A ditadura (1964 -1985) e a Perseguição à Nossa Igreja de Crateus

DITADURA NUNCA MAIS. TORTURA NUNCA MAIS.

Não podemos esquecer, na passagem do aniversário do golpe de 1964, as perseguições contra a igreja de Crateús feitas pela ditadura e pelos militares d 1964 até 1985. Na edição especial do ROCEIRO de Maio/Junho de 1998, por ocasião da despedida de Dom Fragoso, foi feita uma retrospectiva da caminhada da diocese e as páginas 05-06 são dedicadas à memória das perseguições contra nossa Igreja. Entre os muitos tristes acontecimentos lembramos uns poucos, para Nunca esquecer. DITADURA NUNCA MAIS. TORTURA NUNCA MAIS.

EXPULSÃO DO PE. JOSÉ PEDANDOLA: No dia 13 de Outubro, às 6 horas da manhã, a Polícia Federal foi à casa paroquial de Tauá, Diocese de Crateús, levou preso Pe. José Pedandola, pároco que acabara de voltar da Itália onde fora visitar a família. …por ordem das autoridade federais, está praticamente expulso do país de modo sumário… Pe. José é acusado de subversão, de ataques ao governo, de agitação social na área, de insuflação de luta dos trabalhadores do campo contra os donos da terra, de querer transformar o caso das terras férteis do Açude Várzea do Boi, no segundo Japuara – terra de conflito em Canindé …. Relatório de Dom Fragoso

PRISÃO DE PE. GERALDINHO: No dia 28 de junho de 1971, Pe. Geraldo viajou acompanhado de recife para natal. Detido para interrogações prestou depoimento no dia 29 de Junho. Negou-se a assinar as declarações, porque não eram o que respondera. Foi levado à DOPS, onde o torturaram… Deram uma injeção que lhe tirou a consciência – sob pressão assinou… Os juízes auditores entraram para “sala secreta deliberaram- após 46 minutos, comunicaram: Por unanimidade essa Auditoria condena o réu Geraldo Oliveira Lima, a um ano de prisão”…. O mais calmo dos meus padres era tratado como um condenado perigoso. Carta de Dom Fragoso 06/05/1972
A mais alta corte de Justiça Militar declara que Pe. Geraldinho não tem culpa. É inocente. Absolve-o por unanimidade. Mas quem vai reparar a injustiça gravíssima de dez meses de prisão? … Meu Deus, se Pe. Geraldo, tendo a cobertura de seus amigos, foi tratado assim, quem garante a segurança dos estudantes, dos Lideres Sindicais, dos trabalhadores presos, incomunicáveis, sem o mais elementar direito a defesa? Carta de Dom Fragoso 06/05/1972


O QUE É SER SUBVERSIVO: “É uma calúnia chamar de subversivo o trabalho de Pe. José, de Pe. Jõao, do Pe. Gabriel, do Joel do Sindicato. Subversivo é continuar uma exploração injusta dos camponeses sem terra, cobrar uma renda alta, perseguir os membros do Sindicato, oferecer Bolsas de trabalho em favor dos proprietários, às custas da fome e da miséria dos que não tem nada. Subversivo é deixar de denunciar a injustiça e de defender os pequenos e os pobres por medo dos poderosos ou para agradar quem tem dinheiro e armas” Dom Fragoso 13/10/1972

PRISÕES EM PORANGA: Pe. Miguel, co-pároco em Poranga, leu uma carta de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo de são Felix da Araguaia contando os fatos graves de repressão em sua Prelazia. Uma semana depois o noticiário da TV Canal 2 de Fortaleza afirmava que “Padre lê documento subversivo de comunistas presos, durante a Missa” … A Polícia Federal chegou de surpresa, deteve Eliésio dos Santos, da Equipe central de Pastoral, Luizinha Camurça da Equipe central de Pastoral, Helena Almeida, do Conselho Diocesano de Pastoral, Raimundo Freire, José Walter e Lauzeano, dirigentes dos trabalhos da Igreja em seus lugares…. Luizinha e Eliésio estiveram detidos cinquenta e dois dias. … Foram tomados depoimentos em Fortaleza, Poranga, Ararendá, Ipueiras, Matriz de São Gonçalo, Buriti, Nova Fátima de mais de uma dúzia de pessoas. Entre elas Pe. Luis Santos e Pe. Miguel Daudt. As investigações provocaram um ambiente de medo, fofocas, calúnias, delações. Houve tentativa de esvaziamento da confiança no Bispo e nos padres… Carta de Dom Fragoso 15/10/1973.

Pe Mauricio Cremaschi

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