Romaria dos Mártires/diocese Rondonópolis-Guiratinga: uma luz no caminho até Jesus Cristo

Romaria dos Mártires toma conta das ruas de Rondonópolis.

A diocese de Rondonópolis-Guiratinga realizou neste domingo (07) a 28ª Romaria dos Mártires. Desde o início dos anos 90 a igreja, com participação ativa das CEBs, organiza a atividade na cidade de Rondonópolis-MT, Regional Oeste 2. É o maior evento católico da diocese, que consegue reunir leigas, leigos, freiras e padres de todas as paróquias, levando assim a cada ano milhares de pessoas às ruas. Confira a galeria de fotos o final.

Em cada edição a Romaria dos Mártires tem um tema e um lema. Dessa vez o tema foi “Profetas da Fé, Esperança e da Justiça” e o lema, “Serás liberto pelo Direito e pela Justiça” (Is 1,27).

Indígenas fizeram a Primeira Leitura durante a missa que encerrou  Romaria.

Integrantes de movimentos que formam a Frente Brasil Popular (FBP) colheram assinaturas contra a Reforma da Previdência do governo Bolsonaro, que aumenta a idade e o tempo de contribuição para a aposentadoria. Essa mobilização surtiu bastante efeito, com a assinatura de muitas pessoas e o compromisso por escrito do prefeito da cidade, José Carlos Junqueira de Araújo, do Solidariedade.

 

Chamado

Durante a semana o bispo da diocese Rondonópolis-Guiratinga, dom Juventino Kestering,  conclamou todas as leigas e leigos a fazerem essa caminhada de oração, reflexão e comunhão com Deus. Uma multidão de pessoas compareceu e acompanhou os dois eixos temáticos da Romaria, que celebrou a memória dos Mártires que deram suas vidas pela causa do projeto de Deus e a Campanha da Fraternidade, na ocasião da Quaresma, que tratou das Políticas Públicas.

Romeiras e romeiros saíram de suas comunidades até o ponto de concentração.

A concentração começou às 15h30, no pátio da União Rondonopolitana das Associações de Moradores de Bairros (Uramb), ao lado da Câmara de Vereadores, com a chegada das romeiras e romeiros. Eles se organizaram em suas comunidades em Rondonópolis e também vieram de cidades vizinhas, como Guiratinga, Pedra Preta, São José do Povo e Alto Garças. Em seguida a Romaria passou pelas ruas 13 de maio, Presidente Kennedy e Rosa Bororo, até terminar no Cais (às margens do rio Vermelho), onde nasceu a cidade de Rondonópolis e foi concelebrada uma missa.

 

Durante a Romaria foram lembrados nomes e histórias de mártires, entre eles os  martirizados em chão mato-grossense, como Simão Bororo, os padres Rodolfo Lunkenbein e João Bosco Bunier e o irmão Vicente Cañas

 

A Romaria dos Mártires deste domingo envolveu muitos acontecimentos através da acolhida de cada irmã e irmão, de cada paróquia, com muitas músicas animadas. Houve momentos de reflexão sobre as injustiças sociais, lembrança sobre as causas ambientais, como a defesa dos rios e matas, a valorização da agricultura familiar, da agroecologia.

Durante toda a caminhada foram lembrados nomes e histórias de mártires da América Latina e do Caribe, entre eles os que foram martirizados em chão mato-grossense nos anos 70 e 80. Simão Cristino Koge Kudugodu (Simão Bororo) e o padre Rodolfo Lunkenbein, que atuaram no Meruri, região do Araguaia. Padre João Bosco Bunier, assassinado durante seu trabalho pastoral em Ribeirão Cascalheira. E irmão Vicente Cañas, morto em Juína, por defender a demarcação da Terra Indígena Enawene-Nawê.

Seguiram-se outros tantos. O padre Ezequiel Ramin, assassinado em 1984 ao retornar de missão de paz, em Cacoal/RO. A irmã Dorothy, morta em Anapu/PA, em 2005, por defender pequenos agricultores. Chico Mendes, sindicalista e seringueiro, morto em Xapuri/AC, em 1988. Margarida Alves, Alagoa Grande/PB, assassinada em 1983, pela defesa dos direitos humanos. São Oscar Romero, bispo de El Salvador, defensor do povo e da justiça, martirizado durante a celebração de uma missa em 1980. Todas e todos vivem em nosso trabalho pastoral.

Durante a Romaria houve uma parada para um momento penitencial. “Com as mãos nos ouvidos, pelas vezes que não escutamos os clamores do Povo. Com as mãos nos olhos, pelas vezes que não vemos as necessidades do Povo. Com as mãos na boca, pelas vezes que não anunciamos a liberdade do Povo. E, também, com as mãos no aparelho de celular, pelas vezes que nos deixamos alienar.”

Coleta de assinaturas contra a Reforma da Previdência foi um sucesso.

A Romaria terminou com a realização da missa no Cais e a Primeira Leitura foi feita por bororos, etnia com terras indígenas próximas da cidade. No ofertório, os movimentos sociais e entidades em geral foram lembrados pelos trabalhos prestados à sociedade.

Ao final da linda celebração, dom Juventino exortou a multidão de leigas e leigos a dizer: “A Romaria dos Mártires é uma luz no caminho até Jesus Cristo”.

Texto de Pedro Aguiar (Equipe de Comunicação Popular das CEBs/diocese Rondonópolis-Guiratinga) e fotos de Pedro Henrique Aguiar e integrantes das CEBs da diocese

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One Comment

  • Osmar Nascimento de Moraes

    Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de participar de mais esta, ROMARIA DOS MÁRTIRES; da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga.
    Presenciar, sentir e participar das alegrias, dores e esperança de tantos Fiéis, que fazem parte da atual realidade em que estamos passando, e
    caminhando juntos com o Bispo Diocesano, D. Juventino, muitas Irmãs e muitos Padres, os Leigos e Leigas vão fazendo a história da Igreja Católica em Rondonópolis, Mato Grosso.

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