Tempo de Páscoa, passagem da morte para a Vida Pe. Nelito Dornelas

Tempo de gritar bem alto: Eu creio que Jesus está vivo e, por isso, nenhuma ameaça de morte será mais forte do que as forças que sustentam a vida.

A Páscoa tudo transforma no coração humano, que faz a experiência desse Deus vivo que é capaz até mesmo de renovar a face da terra, em Jesus Cristo ressuscitado e de criar um “novo céu e uma nova terra.”

Tudo agora é Vida, é Páscoa, é Ressurreição. E quem faz a experiência pascal vive desde já como uma pessoa ressuscitada.

Sabemos que não possuímos a vida, ela é que nos possui e nos invade, levando-nos e empurrando-nos para além de nós mesmos, para frente e para o alto, abrindo-nos ao Absoluto.

Agora vale a Vida, agora é a Páscoa, a Ressurreição. Estejamos atentos e conectados com a Fonte da Vida e com a toda a comunidade de vida que nos envolve, pois a Páscoa da Ressurreição de Cristo atinge a toda criação, conforme a convicção do apóstolo Paulo ao afirmar que a própria criação sofre as dores da paixão de Cristo na história, aguardando a nobre manifestação dos filhos e filhas de Deus para que também ela seja libertada e participe da Páscoa de sua Ressurreição (cf Rom 8, 19 ss).

Estar atento aos sinais dos tempos é uma das condições para vivermos a Páscoa da Ressurreição com Jesus, em Jesus e por Jesus. Isso é viver oe o ainda não da ressurreição.

Mas, para discernir o significado dos sinais dos tempos no hoje de nossa história, como aquele das “faixas enroladas” de outrora, o Santo Sudário, requer-se muita atenção que nos faz estar no momento presente e calar o falatório mental. Nesse silêncio interior, nesta meditação profunda que este tempo nos proporciona, poderá desvelar-se diante de nossos olhos aquela Presença sempre escondida e atuante que nos chama pelo nome e nos faz caminhar às pressas com o coração liberto e cabeça erguida.

Enquanto outrora Maria Madalena madrugava para encontrar-se com a morte na sepultura, Jesus se madruga mais ainda para recuperar a esperança e a vida.

Enquanto podemos estar a caminho da morte, presos ao passado, Jesus está a caminho da vida, visitando e construindo um novo presente. Enquanto visitamos sepulcros, Jesus visita corações que vivem e têm garra de viver; nós nos empenhamos em encher os sepulcros, e Deus se encarrega de esvaziá-los.

Os sepulcros não são lugares de encontro com Jesus, a Ele o encontramos na comunidade reunida no amor. A verdadeira Páscoa não acontece ao lado do sepulcro, ela acontece quando os corações começam a pulsar de novo com um novo ritmo de vida e de esperança.

É Pascoa não só quando Deus ressuscita Jesus dentre os mortos, mas quando Deus se faz acontecimento de vida em nós. Jesus celebra a Páscoa não junto à pedra do sepulcro, mas na vida das pessoas.

É madrugada, mas Deus já faz resplandecer a luz da aurora, esperando iluminar as mentes e despertar os corações para acolher a Vida.

Assim aprendemos a cantar com o poeta/profeta popular Manuelão, liderança das CEBs de Conceição do Araguaia – PA.

É madrugada, levanta povo! A luz do dia vai nascer de novo.

Rompe as cadeias, abre o coração, vamos dar as mãos, já é reino do povo.

O povo agora é senhor da história, somos rebento desta nova era.

A liberdade, a fraternidade são as bandeiras dessa nova terra.

Terra regada com sangue, com pranto; história marcada de sonhos e desencantos.

Sementes plantadas pelas mãos do Senhor do mundo,

brotando a justiça, rompendo as cercas do latifúndio.

Me corre nas veias as dores da humanidade,

mas brilha em meu peito a estrela da liberdade.

Levanta meu povo, Jesus é o Senhor da história!

Meu canto é reflexo do sol dessa nova aurora.

Por Nelito Dornelas

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