CEBI/Baixada Cuiabana (MT) retoma círculos bíblicos

O Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI)/Baixada Cuiabana, Mato Grosso, está retomando os círculos bíblicos. É uma forma de animar a caminhada da construção do Reino de Deus já, aqui, na Terra, a partir de uma leitura popular e atualizada do Antigo e do Novo testamentos.

A retomada ocorreu em uma reunião realizada no sábado (08), em Cuiabá, com o tema “Bíblia e Bem Viver” e assessoria do padre jesuíta Aloir Pacini. Contamos com a presença de várias pessoas e organizações, como: CEBs, Irmãs da Divina Providência, Economia Solidária, estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), lideranças das paróquias e seminaristas.

“Círculo bíblico não é uma coisa nova. A prática do círculo bíblico vem desde o Concílio Vaticano II, dos anos 60 do século passado. O concílio insistiu muito para que os cristãos retomassem a bíblia em mãos e começassem a fazer dela seu livro de cabeceira. Assim, desde aquela época, os círculos bíblicos cresceram e aumentaram”. São palavras de frei Carlos Mesters, registradas em várias cartilhas do CEBI espalhadas pelo Brasil afora..

 

Bem viver

O padre Aloir, que também é antropólogo, nos trouxe uma percepção a partir da experiência dos povos indígenas. “A diferença cosmológica dos indígenas e nós é que eles têm a natureza como sujeito e não como objeto. E a bíblia nos traz claramente que a Terra é de todos, não é propriedade privada”.

Padre Aloir nos mostrou, ainda, que o bem viver vai acontecendo junto ao povo explorado, e por isto devemos fazer o exercício de aproximação. “O bem viver também deve ser pensado dentro da realidade complexa e desafiadora do sistema de mercado global, com suas rápidas mudanças e seus impactos destruidores das condições de vida da humanidade no planeta Terra. Deve ser visto também nas periferias das nossas cidades, no nosso lugar, na nossa casa e na nossa vida pessoal”.

E acrescentou: “Neste contexto, o bem viver exige novas posturas: rupturas com o sistema capitalista, travessias para uma vida simples, rompimento com muitos sistemas e esquemas mentais dominantes. Pois agora percebemos que o ‘desenvolvimento’ como foi pensado para a superação da pobreza não aconteceu, porque o acúmulo de capital cresce nas mãos de poucos e custa a ser distribuído”.

O assessor disse que a proposta de Reforma da Previdência do governo Bolsonaro é mais um fator de acúmulo de capital e não uma forma de redistribuir renda.

 

O bem viver na bíblia

Todas essas colocações sobre bem viver encontram conexão com trechos da bíblia quando fazemos uma leitura popular e atualizada.

Em Jo 4, 1-42, na história da samaritana, vemos o respeito às diferenças. Em Jo 12, 1-12, o perfume do bem viver. Em Mc 7, 24-30, fé e ousadia das mulheres excluídas. Em Mc 6, 30-44, a organização do povo, partilha e solidariedade. Em Jo 2, 1-12, a festa (comida e eucaristia).

“Para ser anúncio e sinal do Reino de Deus nesta Terra, necessitamos ampliar nossas alianças, nossas redes de cuidado da vida e parcerias com todas as pessoas de boa vontade, deixando de lado os preconceitos raciais e étnicos. Podemos avançar muito na solidariedade diante dos desafios das drogas que exploram ao extremo nossos jovens, as forças mais criativas da humanidade até o extremo, deixando-as na miséria e levando suas famílias à loucura”, disse padre Aloir.

“Em meio aos desafios do mundo globalizado e excludente podemos gerar uma sociedade do bem viver que supõe a retomada consciente e apaixonada do seguimento de Jesus em Comunidades Eclesiais de Base”, comentou.

 

Experiências concretas

Também tivemos relatos de experiências concretas já vivenciadas a partir do bem viver. Miguelina Martinha falou sobre a Economia Solidária e a luta por um espaço de comercialização solidária no município de Cuiabá, e o trabalho importantíssimo dos Grupos de Mulheres nesta ação.

A irmã Cleofa Flach, da Divina Providência, mencionou como está se organizando a “Rede um Grito pela Vida”, que atua no enfrentamento ao tráfico humano. “É um espaço de articulação e ação profético-solidária da Vida Religiosa Consagrada do Brasil. Vem permitindo ampliar alianças intercongregacionais em prol da vida ameaçada e ferida, das pessoas traficadas e violentadas em seus direitos. E traz o lema: Enfrentar o tráfico de pessoas é nosso compromisso”.

Outras experiências importantes relatadas foram o Sínodo da Pan-Amazônia e a Encíclica Laudato Si´, esta última uma carta do papa sobre o cuidado com a casa comum (nosso planeta Terra). O Sínodo será o encontro entre centenas de bispos com Francisco em outubro deste ano no Vaticano para tratar de uma atuação pastoral mais presente na região Pan-Amazônica (Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Brasil, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana Inglesa e Suriname). Antes houve muitas reuniões e questionários com povos da floresta, entre eles indígenas e ribeirinhos, para se desenvolver um processo de diálogo e respeito.

Coordenação do CEBI/Baixada Cuiabana e Rosenil Conceição, da equipe de comunicação popular das CEBs da arquidiocese de Cuiabá/MT (Regional Oeste 2)

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