CEBs/Oeste do Pará organizam encontros sobre ecologia integral e políticas públicas

Serão dois eventos em agosto, que vão discutir o conceito de progresso, o respeito à natureza e a atuação pastoral na região

 

Enquanto a grande mídia, as multinacionais, os governos, as ONGs, os movimentos sociais, e mais recentemente a Igreja Católica a partir do Vaticano, considerando a convocação do Sínodo Especial dos Bispos para a Amazônia, estão voltando seus olhos para a Amazônia, e colocando em pauta a sua fauna e flora, seus povos e culturas, e todo o seu potencial econômico, social e cultural, assim como seus desafios e fragilidades, percebe-se uma clara contradição entre os que querem a Amazônia para gerar processos de vida, e os que querem a Amazônia para gerar processos de morte.

Neste contexto, os povos, culturas e comunidades locais do interior seguem se articulando e fazendo aquilo que sempre fizeram: lutando, se organizando e construindo a sua própria história!

 

Contexto histórico

Ao longo da história da Amazônia, diferentes atores sociais foram protagonizando e tomando para si a tarefa de defesa do seu território, e considerando o seu imenso tamanho. Poderíamos listar centenas de atores sociais que vêm travando lutas e construindo processos de defesa da terra, das águas e da floresta, assim como a defesa dos seus povos e culturas. Todavia, a partir da segunda metade do século XX, um importante espaço aglutinador e articulador passou a se destacar na Amazônia: as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs.

Desde o famoso encontro dos bispos da Amazônia legal realizado na cidade de Santarém no ano de 1972, onde a Igreja presente na região, contagiada pelo espirito de renovação pós-Vaticano II (1962-65) e iluminada pelos apontamentos da Conferência de Medellín (1969), assumiu duas diretrizes.

Foram elas: 1) Encarnação na realidade; e 2) Uma igreja com rosto amazônico. E também houve a definição de prioridades centrais: 1) formação dos agentes de pastoral; 2) estradas e frentes pioneiras; 3) pastoral indígena; 4) Comunidades cristãs de base; e 5 juventude (incluída dois anos depois no encontro de Manaus, em 1974).

A partir deste momento, houve o florescimento de milhares de Comunidades Eclesiais em todos os cantos da Amazônia. Essas comunidades, comprometidas com a opção preferencial pelos pobres, passaram a protagonizar importantes processos de lutas e resistências na Amazônia.

No Oeste do Estado do Pará, as CEBs ainda hoje se constituem como espaços fundamentais de articulação e canalização das energias e forças populares de resistências em defesa de seus territórios, sendo um espaço responsável pela formação de diversas lideranças e mártires que, com suas vidas, foram até o fim e tombaram na defesa deste solo sagrado e de seus povos.

 

Encontros

Em agosto de 2019, haverá dois importantes momentos de encontros das CEBs do Oeste do Pará: 1) O Encontrão das CEB’s Ribeirinhas; e 2) o Encontrão das CEBs das Rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá.

O Encontrão das CEBs Ribeirinhas acontecerá pela 21ª vez, e neste ano será entre os dias 02 e 04 agosto, na Comunidade São Sebastião do rio Marajoí, paróquia Santo Antônio, no município de Gurupá, que se localiza na microrregião do Marajó, e eclesialmente pertence à Prelazia do Xingu. Este encontro terá o tema “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” e o lema “Comunidades Ribeirinhas resgatando a memória dos povos tradicionais”.

Já o Encontrão das CEBs das Rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá acontecerá na paróquia Cristo Rei, na cidade de Pacajá, pela 26ª vez, entre os dias 15 e 18 de agosto. Pacajá se localiza na microrregião de Altamira e eclesialmente pertence à Diocese de Cametá. Este encontro terá como o tema “CEB’s e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça”.

Ambos os encontros acontecem dentro de um contexto de profunda reflexão sobre os desafios e perspectivas para o cuidado com os povos, culturas e com o meio ambiente Amazônico. É um cenário de incertezas e insegurança provocada pelo atual governo federal, que em seus discursos e nas suas práticas tem demonstrado estar mais próximo daqueles que olham para a Amazônia com interesses de exploração através dos projetos de morte.

Assim, para as CEBs da região, a Igreja Católica a partir do chamado do Papa Francisco mais uma vez se torna sinal de esperanças ao convocar um Sínodo para refletir sobre a realidade, os desafios e as perspectivas à defesa da vida, do meio ambiente e dos povos da região. Muitas destas comunidades tiveram a oportunidade de participar do processo de escuta para o Sínodo.

Agora, é o momento de reunir e reafirmar o compromisso evangélico das CEBs neste atual momento histórico. Ser uma igreja em saída, comprometida na luta em defesa da Casa Comum, buscando a conversão ecológica para uma cultura do Bem Viver que consiga estabelecer a harmonia entre homem, mulher, terra, água, ar e floresta.

Danyllo Baracho – Pastoral da Juventude do Xingu (Brasil Novo/PA)

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