CEBs: ensaios transformadores de Vida. Marcelo Barros

Traz-nos também alento e esperança a preparação do XV encontro nacional das comunidades eclesiais de base. Ele vai ocorrer em julho de 2022 em Rondonópolis.

“Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra…” (Is 65, 17ss). Esse grito de esperança foi escolhido como lema do XV encontro intereclesial de CEBs.

Em meio ao desmonte cotidiano das políticas públicas e quando vemos se abater sobre o Brasil um imenso retrocesso social e ecológico, é importante valorizar notícias que nos tragam esperança e força de resistência. Sem dúvida, o Sínodo dos Bispos do mundo inteiro sobre a Amazônia, evento que acontecerá em Roma nesse mês de outubro revela a atenção de pastores e fieis de toda a Igreja Católica, com a Ecologia integral, a vida dos povos originários e o grito da Terra que sofre. Na América Latina, outras Igrejas cristãs se unem a essa caminhada de defesa da Vida.

Traz-nos também alento e esperança a preparação do XV encontro nacional das comunidades eclesiais de base. Ele vai ocorrer em julho de 2022 em Rondonópolis, MT, mas desde já convoca as bases em todo o país para já vivermos desde agora a sua preparação. Do sul ao norte e do leste ao oeste, nos vêm sinais de unidade e mobilização. Esse encontro nos propõe como tema: “Cebs: uma Igreja em saída na busca de vida plena para todos e todas”. É reafirmação do modelo de Igreja que o Concílio Vaticano II nos propôs e que, desde o início, as Cebs procuraram viver. Cebs não são apenas células da Igreja. Elas são um novo modo de ser Igreja, na missão e na inserção no meio do povo pobre. O Sínodo da Amazônia toma como meta da missã a construção da Ecologia integral que o papa Francisco aponta na encíclica sobre o cuidado da casa comum. É com o mesmo objetivo que falamos em vida plena para todos e todas, humanos e outros seres vivos.

Na história do povo bíblico, depois do cativeiro da Babilônia, a realidade era de muita pobreza. As terras estavam nas mãos dos opressores. Os direitos dos pobres, desrespeitados. Não havia liberdade. E o pior é que muita gente nem se dava conta de que vivia como escravo. De outra forma, era semelhante ao que vemos hoje no Brasil. Naquele contexto, uma comunidade de base continuava a profecia do velho Isaías que vivera há 200 anos. E daquela comunidade de Isaías, alguém proclamou um recado de Deus: “Vejam! Eu vou criar novo céu e uma nova terra…” (Is 65, 17ss). Agora, esse grito de esperança foi escolhido como lema do XV encontro intereclesial de CEBs que preparamos para Rondonópolis.

No tempo em que a comunidade profética proclamou essa palavra, o que Deus queria dizer é que as pessoas de Deus não podem desanimar diante das dificuldades da vida e das opressões que sofrem. Deus não nos deixa sozinhos e desamparados. Hoje também, Deus quer criar novo céu e nova terra. Só que dessa vez, ele nos chama a colaborar com ele como construtores/as dessa sociedade nova em uma terra do Bem-viver. Quando a gente reanima uma comunidade que está com dificuldade de se encontrar e os irmãos e irmãs se reanimam na caminhada, Deus está começando a criar esse céu novo e terra nova de que precisamos. E cada comunidade eclesial de base será para o mundo de hoje imagem da nova Jerusalém,

Igreja em saída em busca da vida. Vamos juntos/as. Ninguém larga a mão de ninguém e que o Espírito de Deus nos guie e nos conduza na ternura do seu amor maternal. Amém.

Marcelo Barros. Irmão da caminhada

 

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