“Quem não tem Eucaristia fica como empobrecido, ele é defraudado de algo essencial”, afirma Dom Carlo Verzelleti

“a Eucaristia faz a Igreja, mas também a presença de alguém ordenado, fortalece a comunidade, porque o pastor deveria cuidar, acompanhar, promover o protagonismo dos diversos ministérios, dos leigos, deveria ser sinal de comunhão”.

Dom Carlo Verzelleti tem sido um dos padres sinodais que, desde a necessidade de novos caminhos para a Igreja, e para que as comunidades possam ter os sacramentos, sobretudo a Eucaristia, tem defendido uma mudança nesse sentido. O bispo de Castanhal afirma que “a Eucaristia, de fato, faz a Igreja, a Eucaristia nos transforma em Cristo, nos cristifica, então quem não tem Eucaristia fica como empobrecido, poderíamos dizer, que ele é defraudado de algo essencial”.

Dom Carlo reconhece que “o domingo é o dia do Senhor, mas sem a Eucaristia é incompleto”. Ele afirma que “os primeiros cristãos, no oitavo dia se encontravam para fazer a memória da Páscoa do Senhor, da sua Paixão, Morte e Ressureição. E as nossas comunidades passam meses e meses, só duas ou três vezes no ano, tem esta possibilidade de celebrar a Eucaristia”. Isso demanda de ministros que possam cuidar da comunidade, pois “a Eucaristia faz a Igreja, mas também a presença de alguém ordenado, fortalece a comunidade, porque o pastor deveria cuidar, acompanhar, promover o protagonismo dos diversos ministérios, dos leigos, deveria ser sinal de comunhão”.

O bispo de Castanhal vê necessário que haja alguém que seja “sinal dessa comunhão, não só esporadicamente, mas que seja uma presença constante, o que não acontece na nossa realidade”. Na sua diocese, há 1110 lugares, distantes um do outro, com 45 padres, mas 40 que podem andar, que “não dão conta, de jeito nenhum”. Há lugares com dez mil habitantes, “que precisaria de uma presença maior, ao menos uma vez por mês, que não é possível”. Por isso, ele diz que “é urgente a presença de um ministro ordenado reconhecido pela comunidade”, o que lhe daria um peso maior.

São lugares com muitas igrejas pentecostais, com pastores reconhecidos, algo que não recebem do mesmo modo os ministros que estão nas comunidades católicas. Segundo o bispo “o fato de ter alguém que está aí, que cuida, que acompanha, que está perto do sofrimento, da morte”, é algo fundamental. Ele não vê esses homens casados “como de segunda categoria, mas presbíteros no sentido pleno, que possam promover a vida”. Mesmo tendo comunidades bonitas sustentadas pelos leigos, “mas quando vai o padre enche a Igreja”. Dom Carlo afirma que as vezes, “nossos católicos se sentem sozinhos, pouco apoiados, e onde tem alguém que cuida, eles acabam sendo levados para lá”, uma realidade cada vez mais presente na Amazônia brasileira, onde o número de evangélicos já se equipara ao número de católicos.

De fato, está se dando “uma avalanche de Igrejas pentecostais”, com comunidades de cem famílias que tem até seis igrejas pentecostais, com um proselitismo violento, em alguns casos. O protagonismo dos leigos é importante, fundamental, segundo Dom Verzelleti, “mas precisa de alguém que seja sinal de Cristo Pastor, faltando isso a comunidade fica mais fraca”. O povo, sobretudo quem se diz católico mas não participa, se deixa levar por quem dá atenção, afirma o bispo de Castanhal.

Tem vozes que acusam o Papa de querer acabar com o celibato, algo que Dom Carlo considera “um grande valor”, que “o Papa nunca falo nada a esse respeito de desprezar o celibato”. Ele mostra o trabalho vocacional que está fazendo, com um seminário com 40 seminaristas e 110 diáconos permanentes. “Eu vejo neles os elementos, as atitudes necessárias para ser um bom padre, não clericalizados, ao serviço do povo, no meio do povo, não buscando a promoção de se mesmo”, reconhece o bispo.

Nesse sentido, o bispo de Castanhal, vê interessante “pedir conselho às Igrejas de antiga tradição apostólica, que tem presbíteros casados, como eles fazem o processo de formação, como é que eles acompanham as mulheres, as famílias”. São experiências de muito tempo, que quem conhece descobre a riqueza que encerra. Por isso, podemos aprender com eles, tendo claro que uma coisa não exclui a outra.

A assembleia sinodal está sendo momento para o Papa escutar todo mundo, atento, afirma o bispo, que reconhece que “no Sínodo tem quem apoia a questão dos viri probati, quem duvida, quem tem algumas perplexidades”. Diante disso, ele vê que “todos temos que nos abrir à luz do Espírito Santo que nos ajude a entender”, e evitar que seja momento de confronto, de descobrir o que os outros tem de bom no que falam. De fato, ninguém se sente impedido de falar todo mundo está falando e todo mundo vai conhecer o que foi falado nos círculos menores, pois tudo será publicado

O bispo diz que não importa o resultado final, mas “acredito que temos que dar passos, se não é agora, mais tarde”. Nesse sentido, essa situação se apresenta também na Europa, que em poucos anos não vai ter mais padres. Diante disso se pergunta, “a Igreja vai ter que esperar aquele momento para tomar uma decisão?”.

Luis Miguel Modino

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