Muito canto, dança, emoção e espiritualidade em celebração afro em Rondonópolis (MT)

Equipe Comunicação CEBs/diocese de Rondonópolis-Guiratinga

CEBs, pastorais sociais e movimentos populares da diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT)/Regional Oeste 2 comemoraram bastante o Dia da Consciência Negra (quarta-feira, 20). Foi momento de festa e reivindicação. Memória de lutas, dores e conquistas.  Confira galeria de fotos ao final.

As atividades ocorreram no município de Rondonópolis, na Comunidade São Vicente de Paulo, bairro Vila Verde, paróquia São José Operário, a partir das 19h.

Destaque para a celebração afro.  Muito canto com uso de voz, batuque, teclado, pandeiro e violão. Muita dança. Pessoas juntinhas, todas em círculo. Flores e enfeites. Encenações. Mãos dadas. Crianças, adolescente, adult@s, idos@s.

Bênção à Nossa Senhora Aparecida. Leitura e reflexão da palavra bíblica. Partilha do pão. Altar no chão com alimentos, toalhas coloridas, velas, plantas e objetos de trabalho.

Participação ativa de integrantes das CEBs, artistas da caminhada e ativistas sociais. Cássio Gomes, do Movimento Negro de Rondonópolis (MNR), fez a leitura de uma carta aberta conectando a população negra com a política atual. O documento tece duras críticas ao governo Bolsonaro e destaca a importância da organização popular para a superação dos preconceitos e desigualdades sociais. Leia o documento na íntegra logo abaixo.

A celebração foi conduzida pelo padre Aladim Leodenis Loureiro, vigário na paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no município de Alto Araguaia.

 

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

Os negros e a política atual: 20 de Novembro é dia de Zumbi e dia de luta: Êpi Babá!

Faz um ano que o governo conservador brasileiro venceu as eleições e dirige o país. Faz o mesmo tempo que os negros, a maioria indubitável da população (oficialmente quase 50%) passou a viver piores condições de vida além da que levava antes. Enfim, os negros continuam a ocupar a mais baixa escala social, de forma piorada, figurando a maior parte na pobreza e miséria, embora se queira demonstrar o contrário. Os mais baixos salários são recebidos pelos negros.

O rebaixamento da qualidade de vida e das condições do nível de ensino também os afeta mais do que os de outras classes e raças sociais. O mesmo se dá com relação ao Genocídio, tanto de homens como de mulheres negras. Os níveis famigerados do desemprego, também parecem afetar mais a gente de cor negra. Embora não seja o único que sofre neste mundo, inegavelmente é o que está sendo mais prejudicado; é o que enfrenta ridicularizações, explorações e inferiorizações; em poucas palavras, se poderia dizer que isto vem ocorrendo porque aumentou contra ele o racismo e a discriminação.

Tudo poderia nos levar a pensar: se é isto que se dá, então são os negros os que mais protestam, criticam e se manifestam contra os ricos e poderosos atuais, certo? Mas não é isto que observamos, ao menos não em grande parte. O que ocorre então? Terá o negro uma vocação para o sofrimento e a concordância pacifica?

Antes que algum teórico conservador e/ou reacionário venha defender que o negro tenha propensão para o conformismo e para a não resistência, e que gosta de sorrir da própria desgraça, adiantamos não ser nada disto, e que o negro apresenta em geral as mesmas opiniões que a grande massa de brasileiros, que, também teve prejuízos enormes nas perdas dos direitos e valores e de conquistas, mediante a aprovação das reformas (na verdade, contrarreformas), como a da Previdência, a Trabalhista, a Política etc.

Todos nós sabemos que fomos iludidos pela ‘aparência’ do Bem e ludibriados pelos “cães de guarda” (grandes mídias televisivas faladas e escritas). Não podemos estar completamente imunes as fake news e também não somos livres do assédio de juízes e economistas conservadores e reacionários, os quais chegam a administrar leis no sentido de favorecerem o ultraliberalismo e mesmo privatizações altamente questionáveis no sentido do desenvolvimento para grupos já privilegiados (privatizações do Pré-Sal, por exemplo). Pode a verdade se esgotar na Operação Lava Jato? Não existe pós-verdade para a operação Lava Jato?

Alguns teóricos de Esquerda, bem apressados por sinal, julgam que o povo aceita o que está aí porque acreditou que vários gays, certos negros, muitas mulheres e homoafetivos e héteros, um bom número de funcionários públicos privilegiados, outros tantos nordestinos, formavam no governo anterior um séquito de privilegiados, juntamente com esquerdistas, preguiçosos e improdutivos que nada faziam na máquina burocrática estatal, onerando-a e sempre paralisando-a.

Assim, os pobres e oprimidos teriam apoiado uma força política eficaz, justa e honesta, capaz de eliminar a corrupção histórica desde 1500, salvando o Brasil dessa ‘ratatuia’ de imoralidades, como já diziam os nossos melhores folcloristas: é recobrado de tempos em tempos, não passando de uma grande bazófia nacional para a defesa dos ricos e privilegiados de sempre. Por esta lógica avessa, nosso povo teria votado contra si mesmo, pois todas aquelas categorias são sua própria composição; pois se retirando dos adjetivos daquelas qualificações, resta a formação do nosso povo brasileiro.

Por outro lado, é possível ainda que parcela de nossa gente, das autoridades e lideranças populares tenha sido cooptada ou anda desestimulada para fazer a boa política, a serviço do povo.

Nós, negros, deveríamos fazer um grande favor a nós mesmos: observar a realidade com atenção e não nos deixarmos nos levar por mentiras e sensacionalismos. Pois principalmente para nós, a Verdade e a Certeza ainda são necessárias; enfim, a verdade verdadeira (deixando a pós-verdade para os ricos e poderosos se locupletarem nela, assim como coxinhas e pantufas).

Continuaremos a nos bater por Democracia Real, lutando pelo desenvolvimento e superação das desigualdades, convidando os nossos pares, outras raças e classes sociais, as quais enfrentam condições semelhantes, para se embrenharem nesta empreitada alvissareira conosco.

Continuidade das lutas pelos nossos direitos, valores e senso de justiça dos trabalhadores.

Viva o Desenvolvimento Social e a Igualdade Social!

Viva Zumbi dos Palmares!

Novembro de 2019. Axé! Motumbá! Mucuiú!

Movimento Negro de Rondonópolis-MNR (desde 1987)

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