Comunidades Eclesiais de Base: um jeito evangélico de ser Igreja

CEBs atuam na formação de pessoas engajadas na transformação da sociedade, segundo a inspiração de Jesus de Nazaré.

O necessário engajamento social dos cristãos e cristãs, na luta pela transformação da sociedade, muitas vezes é ponto de críticas até mesmo de outros cristãos e cristãs.

O necessário engajamento social dos cristãos e cristãs, na luta pela transformação da sociedade, muitas vezes é ponto de críticas até mesmo de outros cristãos e cristãs. (CEBs do Brasil)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Há quem acredite que as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – não têm mais a mesma importância que em décadas passadas, ou até mesmo que elas se tornaram mais uma espécie de movimento eclesial, a compor o cenário das pastorais e movimentos. É certo que o pontificado de João Paulo II e o exercício episcopal de muitos dos bispos por ele nomeados contribuíram para um enfraquecimento eclesial das CEBs, sem contar na mudança política, social e cultural em toda a América Latina nos últimos anos. Acontece, porém, que as CEBs continuam, a seu modo, mostrando sua relevância. Elas representam um jeito evangélico de ser Igreja, na busca por manter viva a proposta de Jesus de Nazaré, o Cristo, e de seu Reino de paz e justiça.

Na última semana, em Londrina, ocorreu o 14º Intereclesial das CEBs. Evento bastante expressivo que revela a força de uma Igreja comprometida com o Reino. O trem das CEBs não parou e não deve parar, porque nossa história reclama comprometimento profético dos cristãos e cristãs, sobretudo neste grave contexto sociopolítico que estamos enfrentando. As CEBs atuam na formação de pessoas engajadas na transformação da sociedade, segundo a inspiração de Jesus de Nazaré, motivando os cristãos e cristãs a viverem segundo seu Mestre e Senhor, como sinal de contradição num mundo marcado por injustiça e morte.

No primeiro artigo de nossa matéria, Antônio Ronaldo Vieira Nogueira reflete sobre a importante questão:Há sentido falar e investir nas CEB’s hoje? Resgatando textos do Magistério católico, o autor responde a questão voltando ao significado das CEBs e mostrando que seu espírito está vivo, porque animado pelo Espírito do Ressuscitado. Contra todas as vozes dos “profetas da calamidade”, que colocam em dúvida a força e a importância das CEBs, esse jeito de ser Igreja continua vivo e, cada vez mais, necessário.

Rodrigo Ferreira Costa, no artigo CEBs, um jeito de ser Igreja, aponta alguns desafios de nosso tempo, a serem levados em conta pelos cristãos e cristãs, a partir da mística e da profecia, próprias das CEBs. No artigo, o autor reflete a respeito desses desafios, em quatro níveis: antropológico, sociológico, pedagógico e teológico. O comprometimento das CEBs, em sua postura profética diante da realidade, na qual urge uma atitude atenta frente aos desafios sociais, é fruto da mística do seguimento de Jesus Cristo, como convite a aberto a todos os cristãos e cristãs.

O necessário engajamento social dos cristãos e cristãs, na luta pela transformação da sociedade, muitas vezes é ponto de críticas até mesmo de outros cristãos e cristãs. Na mística das CEBs, aprendemos que a fé impulsiona à busca pela justiça e o comprometimento com o Reino de Deus. É o que reflete o terceiro artigo de nossa matéria, Caráter salvífico-espiritual das lutas e organizações populares, de Francisco Aquino Júnior.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

Fonte: Dom Total

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