Reflexões da Palavra | Festa da Epifania do Senhor

Leituras: Is 60,1-6 – Sl 71 – Ef 3,2-3a.5-6 – Mt 2,1-12

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

Celebramos hoje a Festa da Epifania, da manifestação do Senhor a todos os povos representados pelo Reis Magos que foram visitar o Menino que nasceu. “Mago” significa grande, ilustre – do grego – e os magos vieram do Oriente à procura de alguém mais importante que eles: o Rei-Jesus. Diz o texto que ficaram muito alegres e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. O ouro simboliza a realeza de Jesus, o incenso a sua divindade, e a mirra, a sua humanidade. A humanidade tende hoje – mais que nunca – a um universalismo até agora nunca atingido e que produzirá um novo tipo de pessoas, cuja cultura não será mais limitada à sua civilização e cujos meios técnicos e científicos serão patrimônio de todos. É um dinamismo global e os que reivindicam um exclusivismo, seja ele racial, nacional, cultural ou científico, são considerados ultrapassados. Um exemplo atual desta realidade é a vacina contra o Covid – deverá ser um patrimônio da humanidade, por direito e por justiça!

Mas de que meios dispõe a humanidade para atingir este sonho? Como conscientizar o mundo a esta inrterrelacionalidade e interdependência entre os povos? O Papa Francisco, de forma simples, mas magistral, nos convoca na “Fratelli Tutti” – à fraternidade e à amizade social, entre todos.

Israel recebeu a missão de reunir todos os povos na descendência de Abraão e de realizar, assim, a promessa do universalismo. Convocando os magos do Oriente, Jesus começa a reunir os povos, a dar unidade à grande família humana, que se realizará plenamente quando a fé em Jesus Cristo fizer cair as barreiras existentes entre nós, e na unidade da fé, todos se sentirão filhos de Deus, igualmente redimidos e irmãos. Mas a palavra “unidade” é muitas vezes mal interpretada… não é uma uniformidade monótona, muito menos a anulação de todas as diferenças, reduzindo e empobrecendo o “Outro” ao “mesmo”, empobrecendo a riqueza da humanidade. Na pluralidade, no respeito e na aceitação das diferenças, manter a unidade, eis o desafio.

Nesta festa, chama a nossa atenção atenção a estrela que guia os reis magos até Belém, a nova Sião, não mais Jerusalém. É a luz que orienta, encaminha, que não nos deixa dispersar, perder-se do caminho traçado. Jesus é esta luz… deixemo-nos guiar por ela! E ao encontrar o Menino, vamos oferecer-lhe também presentes, mimos, como gratidão por tudo que recebemos e somos: um pouco de empatia para com os irmãos menos queridos, um pouco do meu tempo e do meu saber junto àqueles que a sociedade exclui e descarta, um pouco de solidariedade para com os que sofrem injustiças e perseguições por não se encaixarem no padrão sociocultural da nossa sociedade. Presentes!!!!! Presentes que não se encontram para comprar nos centros de consumismo tão defendidos pelo atual sistema político-econômico. Presentes que nascem no coração daqueles que ousaram ir à Belém guiados pela estrela do Rei-Jesus.

Que esta festa desperte em cada um/uma de nós o sentimento de gratidão e nos coloque a caminho do presépio, para encontrarmos o Menino e oferecer-Lhe o nosso “presente”: simples, frágil, pequeno, imperfeito mas que seja sinal do meu compromisso e da minha adesão ao projeto que Ele veio trazer.

Que seja assim. Beijos no coração.

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