Reflexões da Palavra | 27º Domingo do Tempo Comum | Ano A

Leituras: Is 5,1-7 – Sl 79 – Fl 4,6-9 – Mt 21,33-43

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

A imagem da vinha nos ensinamentos de Jesus permanece. Ele narra outra parábola que tem como interlocutores, ainda, os sacerdotes e os anciãos do povo, os ilustres da época e detentores do poder. Conta que um Senhor proprietário de uma vinha arrendou-a a vinhateiros e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita mandou seus empregados para receber a sua parte. Os vinhateiros espancaram, mataram e apedrejaram os funcionários do proprietário da vinha. Mandou depois um número maior, que foram tratados da mesma forma. E finalmente, mandou seu filho, imaginando que iriam respeitá-lo por ser o herdeiro. Mas, igualmente mataram-no para tomar posse da terra, da herança do filho. A explicação desta parábola é encontrada na 1a leitura do AT – Is 5,1-7 – “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, é o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis injustiça; esperava obras de bondade – e eis iniquidade”. O que surpreende na narrativa do Evangelho deste domingo, é o seu desfecho. Jesus pergunta aos seus ouvintes, qual será atitude do dono da vinha ao voltar. E obtém a seguinte resposta: “Com certeza, mandará matar de modo violento esses perversos…” – ao que Jesus responde: “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular…”A figura da vinha torna-se como que um exemplo da História da Salvação, do modo de agir de Deus para com seu povo. O amor de Deus pela humanidade – sua vinha! – se revela de modo dramático, mas por fim é sempre o amor que triunfa sobre a recusa e a infidelidade do ser humano. A pedra angular rejeitada pelos construtores é Jesus, o Filho, literalmente morto, crucificado mas no qual se fundamenta toda a construção futura. As autoridades competentes às quais o Senhor arrendou o nosso mundo – com a nossa conivência – para que dele cuidassem até a sua volta, fizeram tal qual os funcionários da parábola. Não estão cuidando da vinha. Ela está literalmente morrendo, pedindo socorro através de vírus mortais, da extinção da nosso flora e fauna, da morte do seus habitantes, sobretudo os mais pobres e vulneráveis, da corrupção para enriquecimento de uns poucos em detrimento da maioria… o Senhor da da vinha está muito triste, talvez enfurecido. Que possamos escolher melhor os nossos administradores, aqueles que nos representam para que a vinha que habitamos – a nossa casa comum, a Mãe Terra – não pereça nas mãos de administradores corruptos e genocidas. Que o Senhor nos dê coragem e discernimento. Assim seja.

Beijos no coração.

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