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Dom Pedro Casaldáliga – Os traços do homem novo e da mulher nova.

Dom Pedro Casaldáliga – Os traços do homem novo e da mulher nova.

“Espera “contra toda esperança”, no meio das decepções, na monotonia diária, apesar dos fracassos e contra as evidências do triunfo do mal.”

Um texto de Dom Pedro Casaldáliga, necessário para nossos dias.

” Na alegria e na dor, no trabalho e na festa, na vida e na morte, vai se fazendo páscoa na páscoa.”

O que marca o testemunho do agente de Pastoral?

1. A lucidez crítica

a) Decodifica a realidade à luz da fé e por meio das mediações sociais, políticas e econômicas.

b) Estuda, avalia, é dialética.

c) Não se deixa enganar pelas aparências, nem pelas promessas, nem pelas esmolas.

d) Sabe ler a conjuntura local, continental e mundial e penetra na parte oculta das estruturas de dominação e alienação.

e) Caminha com os pés no chão da realidade, com o ouvido atento ao clamor dos pobres e aos sofismas dos ricos, com os olhos abertos aos processos da história e ao horizonte da utopia.

f) É lúcida e é luz.

2. A contemplação sobre a caminhada

a) Vive aberto ao mistério do Deus que é vida e amor

i) em sua Trindade, que é a melhor comunidade;

ii) na história, que também é seu reino;

iii) e no universo, que é também sua casa.

b) “Tropeça com Deus nos pobres”, professa-o na prática da justiça e da caridade e o celebra na oração pessoal, familiar e comunitária.

c) Caminha enamorado da esposa natureza; acompanha todos os caminhantes no diálogo intercultural e com a ternura da gratuidade; ama sua gente, sua terra e seu tempo com um coração ecumenicamente jovem.

d) Sonha, ri, canta, dança, vive.

e) Veste-se de símbolos e de ritos antigos e novos, conserva a memória subversiva e exerce a criatividade alternativa.

f) Cultiva a identidade étnico-cultural, a sensibilidade social e a historicidade política.

g) Tem como tela de televisão a mirada da consciência, a sabedoria da realidade e a revelação da Bíblia.

3. A liberdade dos pobres

a) Despojado de privilégios e de acumulação, e jogando sua sorte com a sorte dos pobres da terra, promove a civilização da pobreza humanizadora contra a civilização da riqueza desumana.

b) É pobre para ser livre e é livre para libertar.

c) Partilha da pobreza solidária e combate a pobreza injusta.

d) Da liberdade faz seu alento e sua canção, e da libertação seu combate e sua vitória.

e) É parcial como o Deus dos pobres, radical como o Jesus das bem-aventuranças, livre como o Espírito de Pentecostes.

4. A solidariedade fraterna

a) Faz da solidariedade o nome novo da paz, a nova práxis do amor e a nova dinâmica da política.

b) Acolhe, compartilha, serve.

c) Compadece, coindigna-se, comilita, concelebra.

d) Não discrimina nem pelo sexo, nem pela raça, nem pela crença, nem pela idade.

e) Porque sabe que é filho de Deus, procura ser irmão de todos.

f) Luta por fazer dos vários mundos um só mundo humano.

g) Promove a organização em todos os níveis, mas sem fanatismo, sem dogmatismo e sem proselitismos.

5. A cruz e a conflituosidade

a) Sabe que a existência é milícia, que o reino sofre violência e que na cruz está a vida.

b) Abraça a cruz salvadora de Cristo, mas destrói todas as cruzes opressoras.

c) Nunca foge da renúncia pelo reino, nem se esquece do domínio de si, nem se nega à convivência, ao trabalho, à libertação.

d) Assume as grandes causas sem medo da conflituosidade, apesar da perseguição e até a entrega do martírio.

6. A insurreição evangélica

a) Pela boa-nova do evangelho e na incansável construção da utopia, rebela-se contra os mecanismos do lucro e das armas, do consumismo e da dominação cultural, do fatalismo e da conivência.

b) É opção, militância, profecia.

c) Luta contra todos os ídolos da sociedade e da religião, em rebelde fidelidade a Deus e à humanidade.

d) Insurge-se constantemente, pela conversão pessoal, para a renovação comunitária e ecumênica da Igreja e para a revolução democrática da sociedade.

7. A teimosa esperança pascal

a) Espera “contra toda esperança”, no meio das decepções, na monotonia diária, apesar dos fracassos e contra as evidências do triunfo do mal.

b) Mantém a coerência das testemunhas fiéis, propaga a “perfeita alegria” dos utópicos e organiza a esperança dos pobres.

c) Na alegria e na dor, no trabalho e na festa, na vida e na morte, vai se fazendo páscoa na páscoa.

d) Avança na conquista da Terra Prometida, pelos caminhos da Pátria Grande, para a Pátria Maior.

Tonny Calices

4 de agosto de 2016
Foto de padre wosley

padre wosley

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