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Reflexão da Palavra | 3º Domingo da Páscoa – Ano A

Por: Quininha Fernandes Pinto, Cebs Regional Leste 1

Leituras: At 2,14.22-33 – Sl 15 – 1Pd 1,17-21 – Lc 24,13-35

No domingo passado vimos que Jesus ressuscitado manifesta-se na assembleia, na comunidade dos que creem e dedicam-se a tornar visível a mensagem do Senhor. Neste domingo, as leituras propostas para a nossa reflexão apontam a partilha, a comunhão, a Eucaristia como sinal inquestionável da presença do ressuscitado.

A conhecida passagem dos discípulos de Emaús é uma inspiradora e pedagógica catequese para os que se propõe seguir Jesus, composta de três partes:

1) o Encontro – aprender caminhando com o Mestre,

2) a Palavra – aprender ouvindo o Mestre,

3) a Missão – aprender agindo como o Mestre.

Caminhar é preciso; e evangelizar é antes de tudo, não ignorar o desconhecido, o diferente, o mais rebelde e afastado; talvez por isso um dos discípulos de Emaús, no texto, não tem nome… No caminho vamos abrindo os olhos para a realidade, conhecendo o trajeto, os buracos da estrada, os desvios necessários. Percebemos que os discípulos vão aprendendo, ouvindo! São conversas ao longo do caminho, proseando, e se interando da realidade: “És o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” E foram narrando os últimos acontecimentos da paixão e morte de Jesus… E Jesus, tomando a Palavra, começa por Moisés, passando depois pelos profetas e vai explicando-lhes, no contexto das Escrituras, tudo que havia acontecido com Ele. E os discípulos gostaram tanto que o convidaram a pernoitar com eles, afinal já era tarde, a boa prosa havia rendido… Ao sentar-se à mesa com eles, no gesto de partir o pão, Jesus, até então um “um peregrino” que viera com eles de Jerusalém”, foi reconhecido!

A Palavra de Deus é o princípio norteador da nossa caminhada e da nossa evangelização e devemos lê-la no mesmo Espírito que a inspirou; Deus se revelou no “livro da vida”, depois inspirou a “sua escrita”, para melhor entendimento. Há diversidade de funções da Palavra: na liturgia, na conduta pessoal, comunitária, social, como também a sua função pedagógica de interpelar, suscitar uma resposta para os desígnios de Deus nos acontecimentos de hoje. Este texto de Lucas nos mostra a sua pedagogia catequética ao descrever tão bem o encontro de Cristo com os discípulos de Emaús, após sua Ressurreição.

E a partilha do pão que os cristãos católicos chamam de Eucaristia, não tem sentido nem valor individualistas ou mero rubricismo litúrgico. Tem um caráter sacramental e um alcance profundamente social. Como cristãos, partilhar o pão eucarístico implica um compromisso a partilhar o outro pão – bem explorado pela CF 2023 sobre a Fome -, um compromisso de justiça, de solidariedade, de defesa daqueles cujo pão é roubado pelas injustiças humano-políticas dos sistemas sociais iníquos. Portanto, a participação do pão eucarístico nos obriga, por coerência, a uma distribuição mais equânime dos bens terrestres , a lutar contra toda desigualdade econômica, para que a ninguém falte o pão de cada dia… nestes sinais damos visibilidade ao Cristo ressuscitado no meio de nós. Damos testemunho de que Ele vive! Pensemos nisto!

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