Comunicadores populares partilham experiências em Feira de Santana (BA); CEBs participam

A comunicação popular é uma demanda social urgente. Por isso cerca de 60 pessoas de várias partes do Brasil estão reunidas em Feira de Santana (BA) para apresentar suas experiências e estreitar os laços entre as entidades, coletivos, associações, ongs e iniciativas das quais fazem parte. Entre elas estão as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), com membras e membros do Ceará, Piauí, Maranhão, Paraná e Mato Grosso.

Trata-se do Encontro de Comunicação Popular promovido pelo “Jornal Voz das Comunidades” (JVC), com 13 anos de existência e ligado ao Movimento das Comunidades Populares (MCP). O evento começou na quinta-feira, dia 25, e termina no domingo, 28. As atividades ocorrem nas dependências da sede do movimento, no bairro do Tomba, mesmo local onde as pessoas estão alojadas.

A diversidade é imensa. Tem pedagogo, educador e educadora popular, agricultor e agricultora familiar, trabalhador e trabalhadora rural aposentado/a, padre, seminarista, jornalista, agente de endemias, costureira, pedreiro, catadora e catador de materiais recicláveis, fotógrafo, dançarina, universitária e universitário, músico, advogado, arquiteto, carpinteiro…

Toda essa gente fazendo comunicação popular, alternativa, comunitária, anti-hegemônica, independente ou que outro nome se possa dar. Mas todas e todos na luta contra o capitalismo, o consumismo e o racismo. E a favor do respeito à natureza, aos povos indígenas, quilombolas, mulheres marginalizadas, população LGBT, da democracia participativa e da justiça social. Causas que tanto defendeu Jesus de Nazaré e que tanto têm a ver com uma prática pastoral libertadora.

Nessa sintonia é que funciona o jornal “A Voz da Favela”, com tiragem de 100 mil exemplares por mês e distribuição no Rio de Janeiro e na Bahia. O material é produzido principalmente por moradoras e moradores de favelas formados em cursos de capacitação, que obtêm renda financeira com o impresso, já que os exemplares são gratuitos mas permitem contribuição voluntária.

“O jornal surgiu da proposta de comunicadores populares criarem ferramentas pra darem visibilidade às suas produções locais, pois não podem esperar isso das mídias tradicionais. As editorias são variadas, como Educação, Habitação, Segurança e Literatura, com poetas populares”. Palavras do editor do “Voz da Favela”, Paulo de Almeida Filho. O jornal é uma das ações da ong Agência de Notícias das Favelas, que também possui um site.

Outras experiências foram apresentadas no encontro. O JVC e seu apoio às comunidades quilombolas, indígenas, operárias, camponesas e populares, com maior atuação no Nordeste. Uma festa junina que há anos resgata a memória da organização popular na Comunidade Chico Mendes, na cidade do Rio de Janeiro. Ações de comunicação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Imperatriz (Ascamari), no Maranhão, para mobilizar a base, fazer parcerias e pressionar o poder público.

A Organização Popular de Aracati (Opa), que auxilia populações do Ceará e Piauí afetadas pela produção de camarão em tanque, energia eólica e especulação imobiliária através de seminários, fanzines, documentários e articulações. O “Jornal da Várzea” e seu processo de politização comunitária na Zona Leste de São Paulo. As pichações e pinturas nos muros de Guaíba (RS) trazendo reivindicações urbanas. A ocupação de praças em Santa Rita (PB) com eventos artísticos para agregar antigas e novas expressões culturais.

Delegação das CEBs.

O cinema itinerante do município de Canudos (BA) é mais uma dessas experiências. A base é um filme sobre a história das lutas do povoado liderado por Antônio Conselheiro em 1896/1897 contra a opressão do Estado e a vida atual de quem mora no lugar. “A ideia é desmistificar o preconceito contra o nordestino e Canudos e valorizar a história dos antepassados do povo, principalmente do jovem da zona rural. Aí ele pode obter renda financeira a partir da própria história”, disse Débora Souza dos Santos, que mora no local e estuda Administração Pública. O vídeo foi feito há 12 anos e está em dvd. “Nos convide, que a gente vai mostrar o filme na sua cidade”.

Para o animador de CEBs em Teresina (PI), Emanuel Ramos Costa, está sendo um momento rico em termos de diversidade. “É muito bom conhecer todas essas pessoas e saber que a dona de casa, o pedreiro, o agricultor estão fazendo comunicação popular e usando seus conhecimentos para um bem maior”. Ele também acrescentou que é uma ocasião oportuna para avaliar a comunicação de CEBs do Nordeste e traçar planos para que este trabalho pastoral não se concentre apenas nos grandes eventos das Comunidades Eclesiais de Base.

Outras experiências de comunicação ainda foram apresentadas, como o programa “Trem das CEBs”, Rádio Educadora AM 560, de São Luiz (MA), e o site CEBs do Brasil. Os estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais também estão representados no encontro.

Gibran Lachowski, assessoria de comunicação das CEBs/Mato Grosso (Regional Oeste 2)

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