Natal: O Empobrecimento de Deus para o Enriquecimento do Homem.

“Hoje nasceu para nós o Salvador. Nasceu, portanto, para todo o mundo o verdadeiro sol. Deus Fez-se homem para que o homem se fizesse Deus. Para que o escravo se tornasse senhor, Deus assumiu a condição de servo (…) Ele está deitado numa manjedoura, mas contém o universo inteiro; mama num seio materno, mas é o pão dos anjos; veio em pobres panos, mas reveste-nos de imortalidade; é amamentado, mas é também adorado; não encontrou lugar na estalagem, mas constrói para si um templo no coração dos seus fiéis. Tudo isto para que a fraqueza se tornasse forte e a prepotência se tornasse fraqueza.”

É chegado o Natal, festa da celebração do nascimento do menino Deus entre os homens. Muitos significados podem ser atribuídos à celebração do nascimento do filho de Deus, dentre eles a de que o Natal é o acontecimento em que ocorre o “empobrecimento de Deus para o enriquecimento do homem”. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus, coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens (…)” (Filipenses 2,5-10). Este ensinamento de Paulo aos Filipenses traduz bem o que significa o Natal como empobrecimento de Deus.

Celebrar o Natal como empobrecimento de Deus é dar à celebração um significado Kenótico. O termo “kenosis” vem da palavra grega para a doutrina do auto esvaziamento de Cristo em sua encarnação. A kenosis foi uma auto-renúncia, não um esvaziamento de sua divindade e nem uma troca de divindade pela humanidade. Trata-se do momento em que Ele deixa de lado a relação face a face com Deus e a Sua autoridade, para durante o Seu ministério terreno, submeter-se completamente à vontade do Pai. “E esta é a vontade do Pai, que Eu não perca nenhum de todos os que Ele me deu (João 6, 39)”.

A vivência do Natal como esse momento do esvaziamento de Deus possibilita à humanidade se deparar com a solidariedade de Deus. Lembra-nos o Papa Francisco: “Deus se fez mortal, frágil como nós, partilhou a nossa condição humana, exceto o pecado, mas tomou sobre si os nossos, como se fossem Dele. Entrou na nossa história, tornou-se plenamente Deus conosco! O nascimento de Jesus, então, nos mostra que Deus quis unir-se a cada homem e a cada mulher, a cada um de nós, para nos comunicar a sua vida e a sua alegria” (Angelus, 5/01/14).

O movimento de empobrecimento de Deus, característico do Natal, tem o propósito de fazer da humanidade, uma humanidade enriquecida. Nas palavras de Santo Agostinho: “Hoje nasceu para nós o Salvador. Nasceu, portanto, para todo o mundo o verdadeiro sol. Deus Fez-se homem para que o homem se fizesse Deus. Para que o escravo se tornasse senhor, Deus assumiu a condição de servo (…) Ele está deitado numa manjedoura, mas contém o universo inteiro; mama num seio materno, mas é o pão dos anjos; veio em pobres panos, mas reveste-nos de imortalidade; é amamentado, mas é também adorado; não encontrou lugar na estalagem, mas constrói para si um templo no coração dos seus fiéis. Tudo isto para que a fraqueza se tornasse forte e a prepotência se tornasse fraqueza. Por isso, não só não menosprezamos, mas mais admiramos o seu nascimento corporal e reconhecemos neste acontecimento quanto a sua imensa dignidade se humilhou por nós” (Sermão 13).

O Natal nos revela o amor imenso de Deus pela humanidade. Daqui deriva também o entusiasmo, a esperança de nós cristãos, que na nossa pobreza sabemos ser amados, ser visitados, ser acompanhados por Deus. Por mais que a história humana e aquela pessoal de cada um de nós possa ser marcada por dificuldades e fraquezas, a fé no acontecimento do natal nos diz que Deus é solidário com o homem e com a sua história. Essa proximidade de Deus ao homem, a cada homem, a cada um de nós, é um dom que não se acaba nunca!

Pe. Lino Batista de Oliveira – FACNOPAR/PUCPR/IFA

Fonte: Igreja Libertadora

Imagem: Anderson Augusto

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