As Comunidades Eclesiais de Base disponibilizam o artigo “CEBs em tempo de sinodalidade”, escrito por Edebrande Cavalieri, que propõe uma reflexão sobre a contribuição das CEBs para a caminhada sinodal da Igreja no contexto atual.
Logo no início do texto, o autor recorda uma afirmação do Papa Francisco, feita por ocasião do 50º aniversário do Sínodo dos Bispos: “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do Terceiro Milênio”. A partir dessa referência, Cavalieri situa as CEBs como uma experiência eclesial nascida sob o impulso do Concílio Vaticano II e reconhecida, desde Medellín, como núcleo fundamental de vida comunitária, evangelização e promoção humana.
Segundo o autor, as CEBs aprenderam a caminhar juntas a partir das necessidades concretas vividas por seus membros e da celebração da fé cristã. Por isso, podem ser compreendidas como um verdadeiro laboratório de experiências sinodais, construídas ao longo de décadas por meio da escuta, da participação e da organização comunitária.
Comunhão, participação e missão
O artigo destaca que a sinodalidade apresenta às CEBs três horizontes fundamentais: comunhão, participação e missão. Esses elementos, que também marcam a caminhada da Igreja no tempo presente, fazem parte da própria identidade das Comunidades Eclesiais de Base.
Para Edebrande Cavalieri, a memória das CEBs não deve ser vivida como saudosismo, mas como energia para novos caminhos. A experiência acumulada ao longo dos anos pode ajudar a Igreja a fortalecer uma prática sinodal enraizada nas comunidades, especialmente nas realidades periféricas e nos espaços onde a vida do povo é mais desafiada.
O autor também chama atenção para as dificuldades atuais da comunhão eclesial. Em um contexto marcado por polarizações sociais, políticas e religiosas, ele aponta que ministros ordenados, comunidades e lideranças precisam evitar caminhos que se afastem da experiência sinodal e da fidelidade à caminhada comum.
CEBs como fermento na vida da Igreja
Ao recordar o 15º Intereclesial das CEBs, realizado em Rondonópolis, no Mato Grosso, em 2023, o texto destaca que o encontro expressou o desafio das comunidades no atual momento da Igreja: caminhar em sintonia com o projeto de uma Igreja sinodal e em saída para as periferias.
Cavalieri observa que as CEBs sempre mantiveram uma relação viva com a articulação pastoral da Igreja no Brasil, em diálogo com a CNBB, as pastorais sociais, os organismos de participação e os serviços voltados à sociedade. Essa experiência, segundo ele, revela um modo de ser Igreja que não precisa se impor como modelo único, mas que pode influenciar todo o tecido eclesial.
O artigo afirma que não se trata de transformar as paróquias em CEBs nem de reduzir as CEBs à lógica paroquial. O papel das comunidades é ser fermento, pequena semente e grão de mostarda, ajudando a irradiar comunhão, participação, compromisso social e vida comunitária a partir da fé.
Nesse sentido, o autor defende que a presença das CEBs nos planos pastorais das dioceses não é apenas uma questão de sobrevivência institucional, mas uma garantia de fortalecimento de uma Igreja sinodal, comprometida com as realidades periféricas e com a vida concreta do povo.
Desafios para o presente e o futuro
Na parte final do artigo, Edebrande Cavalieri aponta que os desafios atuais são diferentes daqueles enfrentados há 50 anos. Guerras, migrações, descarte de pessoas, novas formas de exclusão, impactos da inteligência artificial e agravamento das questões sociais exigem das CEBs novas respostas pastorais, espirituais e comunitárias.
O autor afirma que o próximo Intereclesial, que será realizado em Cachoeiro de Itapemirim, terá diante de si o desafio de ajudar a ressignificar as CEBs na atual realidade latino-americana. Essa reflexão deverá considerar elementos fundamentais da caminhada, como a leitura popular da Bíblia, a formação, a união entre fé e vida, a luta pela transformação social e o enfrentamento das tensões dentro da própria Igreja.
Cavalieri também chama atenção para o crescimento de posturas restauracionistas, ligadas a uma visão de Igreja anterior ao Concílio Vaticano II, e afirma que as CEBs são chamadas a contribuir para uma Igreja marcada pela corresponsabilidade, pela comunhão e pela missão partilhada entre sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos e leigas.
Ao concluir, o artigo reafirma que as CEBs podem oferecer uma contribuição decisiva para que a sinodalidade seja assumida como estilo de vida eclesial. Mais do que um novo jeito de ser Igreja, trata-se de ajudar a construir um jeito de toda a Igreja ser: em comunidade, em missão e caminhando junto.