Diocese de Juína-MT

Alegria e tristeza se mesclam no Primeiro Encontro Diocesano das CEBs, da Diocese de Juína-MT

Encontro  para celebrar a vida, lutas, vitórias, dores e alegrias do Povo de Deus.

Pela primeira vez as Comunidades Eclesiais de Base de Juína, no extremo noroeste do estado de Mato Grosso, realizaram seu encontro diocesano. O evento ocorreu no município de Colniza e reuniu centenas de pessoas. Teve a participação de trabalhadores rurais, leigos engajados e lideranças de pastorais da cidade e municípios próximos.

O evento começou na sexta-feira, dia 21 de abril e terminou no domingo, 23, e refletiu sobre o tema: “CEBs e os desafios dos tempos atuais”. Foi uma prévia para o décimo quarto intereclesial no ano que vem, em Londrina.

Diversas comunidades participaram do evento e os que vieram da área rural e outros municípios foram acolhidos em casa de famílias. Para Célia Aparecida, cebiana da região, o encontro foi “para celebrar a vida, lutas, vitórias, dores e alegrias do povo de Deus.”

Infelizmente, Colniza também registrou uma chacina de trabalhadores rurais nesta semana. Nove agricultores da Gleba Taquaruçu do Norte foram assassinados a tiros e golpes de facão: Sebastião Ferreira de Souza, Izaul Brito dos Santos, Ezequias Santos de Oliveira, Edson Alves Antunes, Valmir Rangeu do Nascimento, Samuel Antônio da Cunha, Francisco Chaves da Silva, Fabio Rodrigues dos Santos, e Aldo Aparecido Carlini.

A chacina abalou as pessoas presentes no encontro das CEBs. “Estamos vivenciando a dor deste povo sofrido. De um lado a alegria do nosso primeiro encontro e do outro, a tristeza de ver esses corpos das vítimas e clamar por justiça”, testemunhou o irmão Joel.

Como disse Dom Neri José Tondello, bispo de Juína, eram “pais de família, tentando ganhar o pão de cada dia”. Dom Neri realizou a missa de corpo presente, acompanhado de moradores e participantes do encontro. A Diocese de Juína e lideranças de várias dioceses e entidades civis fizeram denúncias públicas sobre o assunto e cobram providências imediatas.

Entre elas a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Prelazia de São Félix do Araguaia, que tem como bispo emérito dom Pedro Casaldáliga. Essas organizações denunciam que a chacina de Colniza é resultado da omissão do governo brasileiro.  Isso fica evidente pela concentração de terras e destruição da natureza pelo agronegócio. E abre caminho para grupos armados a serviço de empresas corruptas e latifundiários assassinos.

Moradores estão com medo de novos ataques

De acordo com a CPT, ainda existem pessoas feridas e algumas desaparecidas. Os moradores estão deixando a região, com medo de uma nova chacina. Recentemente, a entidade vem atuando no local desde o dia 19 e hoje (25) o povoado está praticamente vazio.

A região onde fica o assentamento Taquaruçu do Norte fica é foco de disputa judicial com latifundiários desde 2004. A CPT informou que investigações policiais feitas nos últimos anos apontaram que “os gerentes das fazendas na região comandavam uma rede de capangas, altamente armados, que usavam do terror para que a área fosse desocupada pelos pequenos produtores”.

Esperamos que a justiça seja feita e que nossos irmãos assassinados não sejam esquecidos. Rezemos para que Deus tenha misericórdia do nosso povo sofrido. Continuemos na luta!

Amém! Axé! Awere! Aleluia!

Alegria e Ana Paula Carnahiba – Comunicação das CEBs Regional Oeste II

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.