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Ampliada Nacional: Partilha da Caminhada das grandes Regiões das CEBs do Brasil

A vida não  é só tristezas e desolações. “Deus age no caos”.

Foi realizado em ambiente virtual a reunião da Ampliada Nacional das Comunidades Eclesiais de Base-CEBs do Brasil em 30 e 31 de janeiro de 2021, com a participação de homens e mulheres, representantes, assessores, padres, bispos, religiosos e religiosas das CEBs dos Regionais brasileiros.

Num primeiro momento de trabalho foram apresentadas pelas Grandes Regiões das CEBs do Brasil a partilha de suas realidades e atividades durante o ano de 2020, sintetizadas como desafios, angústias, tristezas, alegrias e perspectivas.

Todas as Grandes Regiões disseram que não estavam preparadas para vivenciar a pandemia do Coronavírus. Perdeu-se pessoas queridas e muita gente ceifada pela Covid-19. O desemprego atingiu muitas famílias. Por conta da pandemia deixou-se de realizar várias atividades presenciais como os encontros das Ampliadas regionais, as assembleias diocesanas ou das sub-regiões e as romarias das CEBs. Foram muitas as dificuldades em promover ou participar de eventos dos movimentos socias/populares de luta em prol da cidadania sob todos os aspectos. Muitas pessoas ainda não conseguem acompanhar as atividades promovidas via internet.

Algumas dioceses não têm bispos referenciais das CEBs. Outras não têm o apoio do bispo diocesano e de muitos padres. Em alguns lugares a distância entre paróquias e dioceses dificulta o entrosamento entre as pessoas e de leigo(a)s com clero. Muito(as) agentes pastorais formados na TdL estão envelhecendo e algumas deixaram de acreditar na Igreja Libertadora protagonizada pelas CEBs. Em algumas regiões os assessores indicados não estão dentro da linha das CEBs. O povo, em geral, está desmotivado, dado a religião que louva muito e se compromete pouco com o processo de libertação. A questão política e as fakes news divides as pessoas. As comunidades estão divididas entre bolsonaristas e esquerdistas.

Em alguns regionais há enfrentamentos das comunidades rurais com o poder opressor representado pelo agronegócio nos mais variados setor (agropecuária, madeira, minérios etc.) que tem o apoio de governos locais comprometidos política e ideologicamente com esse segmento da economia, além do silencio de parte da igreja fundamentalista que despreza a orientação do Papa Francisco.

Por outro lado, há muitos leigos negacionistas nas comunidades com posturas anticristã e um vazio de lideranças comprometidas com a articulação fé e vida, isso em virtude da falta de consciência crítica. Essa deficiência se dá por falta de produção de material de formação (vídeos, cartilhas e outros) para uma ação libertadora; lideranças mais preocupadas em rezar e arrecadar dinheiro, construir templos suntuosos para o mercado religioso.

Porém, a vida não foi só de pandemia, tristezas e desolações. “Deus age no caos”, disse alguém. As comunidades estiveram unidas pelas redes sociais. Teve o aprendizado do manuseio das novas tecnologias das mídias digitais. Fizeram encontros, cursos, assembleias, reuniões, celebrações e novenas por lives, e com parcerias com outros organismos da Igreja e movimentos sociais. A produção de roteiros celebrativos ajudou a manter as comunidades unidas na espiritualidade libertado das CEBs. Apesar da falta de apoio de parte do clero mantivemos o espírito de residência e esperança das CEBs, a comunhão e vivência de nosso jeito de ser Igreja.

Em algumas dioceses chegaram bispos referenciais das CEBs. Onde há apoio dos bispos e padres as CEBs   mantiveram-se ativas com ações solidárias (cozinhas comunitárias, distribuição de remédios e cestas básicas, entre outras) para necessitados. MST fez parceria com as comunidades para doações de alimentos. Em algumas regiões houve preparação de liderança das comunidades para o processo eleitoral municipal com alguns ganhos. Houve formação fé e política, celebração ecumênica. Os padres da caminhada estão se encontrando, nossos teólogos se adaptando às novas tecnologias de comunicação.

Houve solidariedade com os pobres nesses tempos de pandemia e, também, às famílias ameaçadas de despejos. A distância nos fez repensar a importância da Igreja doméstica, contamos com a participação dos jovens na construção do bem viver, aumento da participação da juventude nas CEBs. Estamos nos preparando para 6ª semana Social da Igreja. Há grupos de estudos assessorado por organismos especializados. Escolas de formação de animadores e animadoras de comunidades com bons resultados.  

Nossos desafios para o futuro serão as reuniões online das Ampliadas estaduais; os encontros de fé e política em alguns Regionais; saber qual público estamos atingindo com nossas ações; aprimorar a comunicação; realizar a Romaria da Terra e da água; a preparação do(a)s delegada(o)s para participação do 15º Intereclesial; enfrentar o capitalismo que está cada vez concentrado e produzindo mais miseráveis.

Desafio maior será a vacinação geral contra a Covid-19; preparar o(a)s delegada(o)s para participação do 15º Intereclesial numa perspectiva de maior aproveitamento do evento para o fortalecimento e animação das CEBs do Brasil.

Antonio Salustiano – Tonhão- CEBs Regional Sul I

Comunicação da Ampliada

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