Democratização da Comunicação como Instrumento da Construção do Reino por PeLuis Miguel Modino

Como ajudar, como comunicadores, a fazer visível que “o Reino de Deus já está no meio  de nós, como uma semente escondida a um olhar superficial e cujo crescimento acontece no silêncio”?

O domínio/controle sobre a informação tem se convertido no quarto poder dentro da sociedade atual. Do mesmo modo que grandes corporações empresariais controlam o mercado econômico, o domínio sobre a mídia está cada vez mais concentrado em poucas mãos, ligadas com as oligarquias do capital. Por isso, podemos falar da ditadura do capital também no campo da mídia, pois, como afirma o sociólogo argentino AtilioBorón, não há democracia genuína sem democratizar os meios de comunicação. Para ele, é necessário favorecer o surgimento efetivo de mais “vozes” na mídia a partir dos povos, para evitar que se substitua a atual “ditadura da informação dos grandes monopólios privados” por uma nova “ditadura de tecnocratas do Estado No Brasil, a gente tem experimentado isso no papel que a mídia tem desempenhado no Golpe acontecido contra a presidenta Dilma, que poderíamos denominar um “Golpe midiático” e a perseguição midiática contra tudo o que representa uma ideologia ligada ao povo e que defende os interesses dos mais pobres. De fato, segundo diferentes expertos nesse campo, o Brasil está na retaguarda da democratização dos meios. No campo da informação religiosa, tanto no meio católico como no evangélico, acontece essa mesma situação. No Brasil, ela está nas mãos de grupos ligados a uma espiritualidade conservadora, cada vez mais distante dos pobres e que só pretendem doutrinar e não evangelizar, evadindo o povo dos problemas e criando um mundo ilusório, que tem como conseqüência a alienação espiritual. Além disso não podemos olvidar que essa mídia tem se tornado instrumento assim para conseguir grandes benefícios econômicos.  Um dos corpo D21 grandes desafios é dar maior visibilidade à comunicação comunitária, tradicionalmente realizada nas rádios e pequenos jornais. Hoje a facilidade para levar para frente essa comunicação comunitária é bem maior e o grande instrumento que temos é o mundo virtual, a internet, que “possibilita a muitas pessoas ter conhecimento quase instantâneo das notícias e divulgá-las de forma capilar”, como bem nos lembra o Papa Francisco na mensagem para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no último 28 de maio. As redes sociais, sobretudo Facebook, Twitter e You Tube, representam hoje, além de um bom instrumento de comunicação alternativa, um meio de organização que permite uma rápida coordenação e troca de informações para organizar protestos o eventos de qualquer tipo. Como cristãos precisamos, segundo Francisco, usar as “informações para oferecer um pão fragrante e bom a quantos se alimentam dos frutos da sua comunicação”. O grande desafio é realizar “uma comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, promova uma cultura do encontro por meio da qual se possa aprender a olhar, com convicta confiança, a realidade.” Nosso estilo comunicador deve ser, como diz o bispo de Roma, “aberto e criativo, que não se prontifique a conceder papel de protagonista ao mal”, elaborando “relatos permeados pela lógica da boa notícia”. Muitas vezes nossas informações se reduzem, como relata a Mensagem do Papa, “a uma crônica asséptica de eventos”. Temos medo de expressar opiniões, de não ser política e eclesialmente corretos, de ter postura, ignorando que “tudo depende do olhar com que a enxergamos, dos «óculos» que decidimos pôr para a ver”.

Como Igreja de Base somos chamados a usar os óculos dos mais pobres, a ver a realidade e informar sobre ela, desde a perspectiva de quem está lá embaixo, de quem vive nas periferias geográficas e existenciais, ler a realidade desde o Evangelho de Jesus Cristo, que é “mais do que uma informação sobre Jesus”. Falar da vida do povo, comunicar aquilo que ninguém comunica, porque não interessa ou, simplesmente, porque não tem coragem de se comprometer e se colocar a serviço dos descartáveis. Como corpo D21 cristãos, somos chamados a imitar o agir de Deus, que em Cristo, “fez-Se solidário com toda a situação humana, revelando-nos que não estamos sozinhos, porque temos um Pai que nunca pode esquecer os seus filhos”. Somos Comunidades Eclesiais de Base que não podemos deixar sozinho àquele que sofre. Devemos ser semente que “faz germinar a vida nova”, instrumento de amor que “consegue sempre encontrar o caminho da proximidade e suscitar corações capazes de comover-se, rostos capazes de não se abater, mãos prontas a construir”.

Como ajudar, como comunicadores, a fazer visível que “o Reino de Deus já está no meio de nós, como uma semente escondida a um olhar superficial e cujo crescimento acontece no silêncio”? Temos que nos convencer e ajudar o mundo a se convencer “que é possível enxergar e iluminar a boa notícia presente na realidade de cada história e no rosto de cada pessoa”. Aquilo que não interessa a grande mídia tem que ser nosso principal corpo D21 objetivo na hora de comunicar, temos que ser comunicadores da vida das pessoas, e em nossas comunidades existe muita vida a ser contada e que, se nós não contar, ficará oculta para sempre e vai ser esquecida. Sejamos semeadores de esperança, de vida nova, construtores do Reino, aqui e agora, na realidade e no momento histórico que estamos vivendo, sejamos “faróis na escuridão deste mundo, que iluminam a rota e abrem novas sendas de confiança e esperança”.

Luis Miguel Modino, missionário na  Diocese de São Gabriel da Cachoeira

Membro da Equipe  de  Comunicação das CEBs do Brasil

 Correspondente no Brasil do  Jornal Digital religiondigital.com

Fonte: CEBs Acontecendo

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