Reflexões da Palavra | Festa do Batismo do Senhor – Ano B

Leituras: Is 42,1-4.6-7 – Sl 28 – At 10,34-38 – Mc 1,7-11

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

À margem do rio Jordão, João Batista prega a conversão dos pecados como meio para se receber o Reino de Deus que está próximo. Jesus também é batizado como todo o povo. O batismo era um rito penitencial; por isso causa um certo constrangimento esta passagem em que Jesus se iguala aos pecadores batizados por João. Mas a narrativa de Marcos é surpreendente: a manifestação, do Pai e do Espírito Santo dão-lhe um significado preciso. Jesus é proclamado “filho bem-amado” e sobre ele desce o Espírito que o investe da missão de ser profeta = anúncio da mensagem de Salvação; ser sacerdote = oferecer o único sacrifício agradável a Deus; rei = messias esperado como salvador. E Jesus deu início à sua missão após seu batismo. Esta passagem fundamenta a razão de ser no nosso batismo. Os motivos que levam os pais a procurarem a Igreja para batizarem seus filhos são de toda ordem: para acalmar a criança, para livrar do mau-olhado, para não ficar pagão, para celebrar socialmente, enfim… poucos têm consciência de que este ato religioso é um compromisso – dos pais e padrinhos, pela criança – de assumir para si o anúncio e a missão de Jesus.

Se é uma responsabilidade assumida, é também o reconhecimento de uma dignidade filial conferida a todos os batizados, sem distinção. Urge resgatarmos a grandeza e as exigências da vocação batismal. O batismo nos foi dado em nome de Cristo; põe-nos em comunhão com Deus; integra-nos na Família de Deus; é um novo nascimento, uma passagem da solidariedade do mal, à solidariedade do amor; das trevas e solidão ao mundo novo da fraternidade.

Praticamente todos são batizados, mas nem por isso podemos dizer que são cristãos, no verdadeiro sentido do “ser cristão”. O cristão que assumiu o seu batismo e, consequentemente o seguimento de Jesus, é comprometido com o mundo, com a sua transformação, com os irmãos pobres e excluídos, com as injustiças e as exclusões que sofrem… os cristãos que assumem o seu batismo de verdade, são também responsáveis pela missão evangelizadora da Igreja, com o anúncio do Evangelho, dando razão ao tríplice múnus/carismas recebidos ao serem batizados. Caminhamos nas estradas de Jesus. Caminhar é a ação mais importante, até mesmo que participar de um sistema religioso que cumpre regras canônicas e rubricas inférteis. Em tempos difíceis como os que estamos vivendo, novos caminhos devem ser descobertos e traçados para seguirmos Jesus. Mas nunca será um caminho fácil, de glamour e luxo, de ostentação midiática avaliadas pela número de seguidores e/ou curtidas obtidas nas redes sociais. O caminho sempre será aquele que nos leva aos pobres, aos moradores de rua, aos que passam fome, que estão desempregados, que são discriminados pela cor, pelo trabalho que realizam, pelo seu status social, pela sua orientação sexual. Não é fácil ser cristão batizado consciente e responsável, nem Jesus disse que seria fácil! A porta sempre será “estreita”, mas é necessário que nos coloquemos a caminho. Coragem!

Que seja assim. Beijos no coração.

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