O Pastor Conhecido e o Pastor Estranho

As ovelhas reconhecem a voz do Bom Pastor. Por Quininha Fernandes

4o Domingo da Páscoa  Leituras: At 2,14a.36-41 – Sl 22 – 1Pd 2,20b-25 – Jo 10,1-10

A parábola do Bom Pastor – proposta para a reflexão deste domingo – é bem conhecida! Ela reflete um ambiente bastante familiar nos campos da Palestina: a imagem do pequeno proprietário de ovelhas. À tardinha, os pastores reúnem o rebanho num recinto para passarem a noite. Normalmente, um só recinto servia para diversos rebanhos. Pela manhã, cada pastor grita a sua “senha” e as ovelhas, as suas, que lhe conhecem a voz, seguem-no. O profeta Ezequiel já no Antigo Testamento denunciava os líderes políticos de Israel, os denominados “maus pastores”, que conduziam o povo por caminhos de morte e desgraça: o Exílio da Babilônia; mas o mesmo profeta dizia que o próprio Deus vai assumir a condução do seu povo. Ele lhes porá à frente o “bom pastor”.  As lideranças político-religiosas do tempo de Jesus exploravam o povo, mantendo-o na miséria, oprimido sob o peso de muitos impostos, de leis que beneficiavam os grandes proprietários de terras e de dinheiro. Esta imagem não nos parece familiar???? O evangelho de hoje nos apresenta dois personagens contrastantes: o pastor conhecido e o estranho. O texto descreve também as ovelhas, remetendo ao tema do seguimento. Esse seguimento supõe um chamado, ou melhor, uma posse da parte de Jesus. Da parte dos discípulos, implica a recusa de todos os outros pastores, “os estranhos”, pois Cristo é o único e exclusivo pastor. O seguimento consiste no conhecimento recíproco, na comunhão, não só de pensamento, mas também de existência: este é, de fato, o rico sentido do verbo “conhecer”.  Jesus com sua mensagem de vida se opõe à mentira que os dirigentes político-religiosos propõem e lhes dá um aviso: são eles os pastores “estranhos” que desencaminha o povo e lhes fazem mal. O povo está submetido pela ignorância, pelo medo, pela manipulação das autoridades que deveriam defendê-lo. Jesus se apresenta, então, como porta, por ser Ele próprio o acesso à vida. O povo quer vida, quer viver e é função das autoridades trabalhar para que o povo tenha vida. A porta é o lugar de entrada e de saída: se alguém quer ser líder do povo – seja político ou religioso – tem que entrar/passar pela “porta”, quer dizer pela prática de Jesus! Se alguém quer liberdade de vida, quer sair, a “saída” é a prática de Jesus. A porta é a única maneira legítima de se aproximar das ovelhas. Quem entra por outro lado, não o faz por amor a elas, e sim para explorá-las em proveito próprio. O pastor entra para cuidar das ovelhas, não para prejudicá-las. Por isso as ovelhas escutam a sua voz, uma voz que não se dirige a uma multidão anônima, mas é uma chamado pessoal: ele chama pelo nome, cada um tem rosto e nome!  Penso que esta reflexão pode e deve ser introjetada no nosso coração tendo como pano de fundo, não mais os líderes políticos de Israel, como Ezequiel denunciou, mas os políticos brasileiros, neste difícil contexto em que nos encontramos! O referencial para distinguirmos o pastor “conhecido” e o pastor “estranho” é a pessoa de Jesus e o seu Evangelho! Qual destes líderes/políticos se parecem ou nos fazem vislumbrar, identificar os ensinamentos de Jesus, o Bom Pastor? Da resposta a esta pergunta e, consequentemente das atitudes que tal resposta nos pede, nos interpela vai depender o futuro do Brasil e dos brasileiros! Amém! Bjs no coração.

Por Quilninha Ferenandes- CEBs Regional Leste

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