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38ª Semana de Liturgia reúne representantes das CEBs para reflexão sobre ministérios e missão

38ª Semana de Liturgia reúne representantes das CEBs para reflexão sobre ministérios e missão

Integrantes do Grupo de Trabalho (GT) de Liturgia e Música do 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) do Brasil participaram da 38ª Semana de Liturgia, realizada entre os dias 19 e 23 de outubro de 2026, no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP).

Promovido pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard, o encontro reuniu agentes de pastoral, liturgistas e lideranças de diferentes regiões do país para aprofundar o tema “Ministérios Instituídos: da Ministeria quaedam à Spiritus Domini – avanços, desafios e perspectivas”.

Representando a caminhada das CEBs e a preparação do 16º Intereclesial, estiveram presentes Suely Volpini, responsável pelas dimensões de liturgia e espiritualidade, e Ailton Nunes Silva Júnior, articulador da dimensão da música.

A participação dos representantes integra o processo de formação e preparação das equipes que atuam na construção das celebrações e da programação litúrgico-musical do próximo encontro nacional das CEBs.

Ministérios instituídos e protagonismo dos leigos

Durante os cinco dias de atividades, os participantes aprofundaram reflexões sobre a vocação ministerial da Igreja, a importância da formação litúrgica e os desafios enfrentados pelas comunidades no exercício dos diferentes ministérios.

Um dos pontos centrais da programação foi a ampliação da participação dos leigos e leigas nos ministérios instituídos, a partir das orientações do magistério do Papa Francisco.

Nesse contexto, o padre Patrick da Silva Brandão destacou as contribuições dos documentos Spiritus Domini e Antiquum Ministerium, publicados em 2021. As orientações permitiram a instituição de mulheres nos ministérios de leitora e acólita e estabeleceram o ministério instituído de catequista.

“Com a abertura do Papa Francisco, agora as nossas dioceses são desafiadas a aplicar, quer a normativa do Papa, quer o próprio Concílio Vaticano II”, afirmou o sacerdote.

Segundo padre Patrick, um dos principais desafios está na aplicação dessas orientações nas Igrejas locais, considerando a necessidade de uma formação litúrgica integral e atenta às realidades e necessidades das comunidades.

As reflexões também reforçaram a importância de reconhecer e valorizar os serviços desempenhados pelos leigos e leigas, fortalecendo a participação e a corresponsabilidade na missão evangelizadora da Igreja.

Contribuições para o 16º Intereclesial das CEBs

A participação de Suely Volpini e Ailton Nunes Silva Júnior na Semana de Liturgia contribui para o trabalho desenvolvido pelo GT responsável pela preparação das celebrações e da música do 16º Intereclesial das CEBs, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de julho de 2027, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo.

Os conteúdos aprofundados em Itaici oferecem subsídios para a elaboração do projeto litúrgico-musical do encontro, especialmente no diálogo entre as orientações litúrgicas da Igreja, a espiritualidade das CEBs e as expressões celebrativas presentes nas comunidades.

A proposta é que as celebrações do Intereclesial valorizem a participação do povo de Deus, a diversidade cultural, a inculturação, a espiritualidade libertadora e a dimensão comunitária da fé, elementos que fazem parte da identidade e da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base.

Com o tema “CEBs: caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho, a serviço do Reino”, o 16º Intereclesial segue em preparação, envolvendo diferentes Grupos de Trabalho na construção de um encontro marcado pela comunhão, pela participação e pela missão.

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O DOMINGO DA MISERICÓRDIA… E O TOMÉ QUE EXISTE EM CADA UM DE NÓS Por: Toninho Kalunga Neste domingo, celebrado nas igrejas católicas do mundo inteiro como o Domingo da Misericórdia, somos convidados a revisitar um dos episódios mais provocadores do Evangelho: a dúvida de São Tomé. É o momento em que a Ressurreição de Jesus já aconteceu, mas nem todos conseguem acreditar. E Tomé, com sua honestidade desconcertante, afirma aquilo que muitos pensam, mas poucos têm coragem de dizer: “Se eu não vir… se eu não tocar… eu não acredito.” Talvez seja exatamente por isso que esse domingo nos incomode tanto. Porque ele revela algo profundo sobre nós e nosso tempo. Vivemos um tempo em que os interesses econômicos e políticos das elites resolveram dar um nome elegante para uma realidade brutal: chamaram de “polarização” aquilo que, na prática, tem apenas um polo ativo muito claro — a extrema direita. É nela que o projeto que organiza o ódio, naturaliza a desigualdade e transforma a dor do outro em instrumento de poder, sai do campo da teoria e vai para a prática destruidora e ceifadora de vidas. A pergunta é: onde está o outro lado polarizador? Porque, para que haja polarização deveria haver dois pólos! Mas há apenas um!! O lado dos que atacam os direitos humanos, os que impedem avanços nos direitos da classe trabalhadora, como o debate da escala 6×1 e a exploração das plataforma de aplicativos que chegam a ficar com 40% do valor do arrecadado pelos trabalhadores, entre tantos outros exemplos. E é justamente nesse contexto que o Evangelho nos chama a olhar para algo que parece cada vez mais distante do nosso mundo. A misericórdia . 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A primeira palavra é: MISERICÓRDIA Misericórdia, vem de duas palavras do latim, explicava ele: misereri e significa — ter piedade, sentir a dor do miserável cor, cordis — significa coração Ou seja: ter o coração tocado pela dor do outro. Miseris cordis A outra palavra que aprendi com Padre Daniel é COMPADECER , que também é uma palavra composta, que vem do latim compati : com — junto pati — sofrer Ou seja: sofrer com o outro. Isso significa que para o cristianismo, não é possível ser misericordioso, se antes, não tiver compaixão, se não se compadecer!! Isso não é uma teoria. Não é um discurso. É uma prática religiosa imposta aos seguidores de Cristo. Só se é cristão e cristã, se compreender essa premissa! É exatamente aí que entra o nosso querido Tomé. Porque, no fundo, não é apenas ele que duvida. BExiste um Tomé dentro de cada um de nós. Um cristianismo que exige prova, que pede milagre, que precisa “ver para crer”. Um cristianismo que só acredita quando pode tocar a ferida com os próprios dedos das mãos. E, é aqui está a contradição central do nosso tempo: seria aqui o ponto X da polarização? Muitos cristãos e cristãs dizem crer — mas não se compadecem. Muitos professam fé — mas não têm misericórdia. E não são misericordiosos porque não tem capacidade de se compadecer! No direito, chamaríamos isso de premissa maior e premissa menor! Sem a primeira, não há como buscar a segunda! Muitos falam em Jesus — mas não se incomodam com a dor do outro, o que forma uma fé egoísta, individual e rasa. E talvez essa seja a forma mais profunda de incredulidade. Porque acreditar na Ressurreição não é aceitar um fato extraordinário. Isso é fácil! Crer na Ressurreição de Cristo, significa assumir uma consequência radical (que vai a raiz): se Cristo vive e venceu a morte, então o sofrimento do outro não pode ser ignorado, porque Deus não ignorou o sofrimento de Cristo e Lhe deu a vitória sobre a morte! A extrema direita, no Brasil e no mundo, tem uma coerência perigosa: a incoerência de se dizer cristã enquanto nega, na prática, os fundamentos do Evangelho. Vejam o que vemos em templos Evangélicos: Nos últimos tempos, Pastores e supostos líderes religiosos com candidatos de Extrema DIreita ajoelhado recebendo “bençãos” de um séquito de apoiadores cujo candidato defende milicianos, que matam e exploram o povo e que tem em sua plataforma política a defesa da exclusão, a legitimação da violência por parte da polícia e o desprezo pela dor dos pobres — e, ainda assim, reivindicam o nome de Cristo como referência de uma suposta defesa da família e da pátria e de Deus! Eles não polarizam. Eles tem apenas um lado! O lado da manipulação da fé e do culto ao poder em nome de uma suposta defesa de Deus (como se Deus precisasse de defesa) da pátria e da família. A pergunta polarizadora é: Que Deus? Que família? E que Pátria? 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Somos nós — quando deixamos de sentir, de nos compadecer, de nos deixar tocar pela dor do mundo e de sermos misericordiosos. **Toninho Kalunga é Leigo Orionita, membro da Fraternidade Leiga Charles de Foucald e fundador do Núcleo Nacional da Teologia da Libertação POLÍTICA E RELIGIÃO, participa da Paróquia Santo Antonio, na Granja Viana, no Santuario São Luís Orione, em Cotia.

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