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13º ENCONTRO REGIONAL DAS CEBs – REPERCUTINDO O TEMA DO 16º INTERECLESIAL DAS CEBs: CAMINHANDO COM AS JUVENTUDES, NA ALEGRIA DO EVANGELHO, A SERVIÇO DO REINO

13º ENCONTRO REGIONAL DAS CEBs – REPERCUTINDO O TEMA DO 16º INTERECLESIAL DAS CEBs: CAMINHANDO COM AS JUVENTUDES, NA ALEGRIA DO EVANGELHO, A SERVIÇO DO REINO

O grande encontro aconteceu! E agora? Essa é a grande pergunta que fica no ar! Foram algumas longas e oportunas horas de encontro, de reflexão e debate, sobretudo de escuta das vozes das juventudes, que em seus momentos de falas externaram a dureza das realidades vividas no âmbito das comunidades e fora delas.

O encontro nos proporcionou a grata oportunidade de vivenciar uma das mais belas experiências da vida de uma Comunidade Eclesial de Base: o acolhimento fraterno, o serviço com amor e doação, a partilha, o encontro, a oração, a memória dos mártires da caminhada, a celebração e o envio. Este, talvez, tenha ficado um pouco ofuscado!

Revisitar a história das CEBs no estado do Espírito Santo tem o objetivo de olhar para um grande retrovisor e, ao olhar para trás, perceber a necessidade de pegar uma lupa para olhar para dentro, para o presente e buscar encontrar as raízes encobertas por sedimentos petrificados que escondem uma identidade que precisa ser atualizada, levando em conta as grande mudanças no contexto cultural, geográfico, econômico, ambiental e, sobretudo, tecnológico. Deixamos a era analógica do século XX e estamos mergulhados na era digital do século XXI.

Mas o que isso tem a ver com as CEBs? É preciso analisar profunda e criticamente a conjuntura, para não nos frustrarmos com o presente e com as perspectivas futuras. O mundo mudou! E precisamos reaprender a fazer a sua leitura e encontrarmos respostas para as necessidades de agora. Nesse mundo globalizado e cada dia mais capitalista, como reencantar as pessoas com a causa de Jesus Cristo?

Não podemos nos acovardar nem nos acostumar com as injustiças, com as guerras, com o desmatamento, com a exploração dos minerais e das terras raras, com a extinção das espécies da fauna e flora, com o genocídio das poucas comunidades originárias que ainda resistem, com a corrupção que desvia os recursos que deveriam ampliar e melhor as políticas públicas de inclusão social, de saúde, de habitação de educação e tantas outras.

Precisamos ouvir o grito das mulheres! Não dá mais para mantermos as celebrações imbuídas dos cantos de louvores e das reflexões fundamentadas na Palavra de Deus, mas distante do choro, do sofrimento e da morte das mulheres vítimas da violência machista exercidas por homens que as enxergam como objeto, propriedade, saco de pancada ou uma erva daninha que precisa ser eliminada da face da terra.

Não dá mais para ignorar que estamos perdendo nossos adolescentes e jovens para as drogas! Nosso maior problema não é a ausência de uma multidão nos bancos das nossas comunidades. Nossa preocupação deve ser incisiva: onde estão e como estão vivendo nossos jovens? O que podemos oferecer a eles para que encontrem na Igreja algo que dê sentido real à vida e os faça crescer na fé, na cidadania e no protagonismo individual e coletivo?

A sociedade está envelhecendo e, com isso, a Igreja também envelheceu. Do mesmo modo que nos preocupamos com as juventudes, devemos nos preocupar com as pessoas idosas. É preciso valorizá-las enquanto cristãos e cristãs que doaram boa parte de suas vidas para a construção das comunidades e da instituição familiar. Se ainda estamos aqui, firmes na fé, devemos isso a quem nos antecedeu. O que estamos fazendo por elas?

A catequese precisa ser renovada de modo que as crianças sintam desde cedo o anseio por justiça, paz e comunhão. Precisamos superar o ciclo em que elas se afastam após a Primeira Eucaristia, retornam apenas para o Crisma e depois desaparecem definitivamente. Mais do que isso, a catequese deve ajudar a compreender que a Igreja, Una, Santa e pecadora, é um espaço onde cabem todas as pessoas, cada qual com sua individualidade, sua identidade e seu jeito de ser.

Não basta nos preocuparmos com a ausência das juventudes, o grito das mulheres e as mazelas sociais se a Igreja não se dispor, de fato, a se adaptar aos novos tempos. Isso passa por preparar seus ministros ordenados para o verdadeiro sacerdócio de Jesus Cristo, assumindo o compromisso com o Evangelho e com a vida, sendo propagadores da fé que motivam os fiéis pelo exemplo de vida eclesial e pastoral.

Que os reitores e formadores de novos padres estejam mais preocupados em formar pastores que queiram ter “o cheiro do povo” e não apenas o interesse de vestir uma batina para se destacar no altar sem se envolver nas lutas do povo por habitação, dignidade no trabalho, respeito às diferenças, inclusão, igualdade, justiça e fraternidade.

Considerando os desafios dos novos tempos, o 13º Encontro Regional das CEBs teve um saldo positivo: a presença ativa das juventudes nas mesas de debate e na assembleia, a participação alegre e animada de todos e a presença de nossos pastores. Fica, contudo, a grande interrogação: E agora? De tudo o que falamos e ouvimos, o que será levado adiante? Como faremos isso? Ou retomaremos essa conversa somente no próximo encontro, daqui a alguns anos?

De encontro em encontro, as coisas não mudam. Apenas os debates não alteram comportamentos, não mudam culturas nem interferem nas ações. Assim como os Documentos da Igreja, as novas Diretrizes da CNBB não têm força de conversão se ficarem restritas à teoria, ao formalismo burocrático ou esquecidas nos arquivos pastorais.

Uma profunda escuta sinodal que culmine em um bom Plano Pastoral pode trazer muitas respostas e apontar caminhos para o verdadeiro encontro com as necessidades da Igreja e do seu povo. Nós, cristãos leigos e leigas, precisamos retomar nosso compromisso batismal de sermos missionários para além dos muros da igreja. E já o somos, não se pode negar, mas podemos fazer muito mais!

Todos juntos, juventudes, leigos e leigas engajados e comprometidos com o Evangelho de Jesus Cristo, iluminados pela Luz do Espírito Santo e protegidos pelo Manto da Virgem Maria, seremos capazes de reconstruir nossa identidade de filhos e filhas de Deus: uma Igreja pobre para os pobres, onde cada pessoa tenha o seu valor, o seu brilho e o seu compromisso cristão na família e na sociedade!

E, ao final, fica um grande sentimento de gratidão à Paróquia São José Operário por ter acolhido o encontro e cada pessoa ali presente com tanto afeto, carinho e disposição! Ao pároco e a todos os seus paroquianos e paroquianas, muito obrigada! Vivenciamos uma experiência de Comunidade Eclesial de Base tão antiga e, ao mesmo tempo, tão presente!

Gratidão também à Pastoral Familiar pelo excelente serviço prestado! A alimentação estava extremamente saborosa e farta, e o atendimento foi de primeira categoria! Que Maria, Mãe da Igreja e nossa Mãe, interceda a seu Filho Jesus por cada um e cada uma de nós!

 

Vitória, 31 de agosto de 2026

Elizabeth Regina Bento Lopes
Integrante da equipe de metodologia
13o Encontro Regional das CEBs

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