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CEBs: entre a força e a invisibilidade das mulheres!

CEBs: entre a força e a invisibilidade das mulheres!

A paróquia São José Operário em Carapina, Serra, se prepara para receber o 13º Encontro das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, do Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O Regional Leste 3 congrega as Dioceses de São Mateus, Colatina, Cachoeiro e a Arquidiocese de Vitória.

Esse encontro precede o grande e esperado 16º Encontro Intereclesial das CEBs que acontecerá entre os dias 20 a 24 de julho de 2027, aqui em nosso Regional, mais precisamente, na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim e fecha o ciclo dos encontros que aconteceram no âmbito de cada Diocese.

Nesse sentido, o 16º Encontro Intereclesial das CEBs vem sendo construído desde o último Intereclesial que aconteceu na cidade de Rondonópolis, no estado de Mato Grosso no ano de 2023, quando o estado do Espírito Santo foi indicado para sediar o 16º Intereclesial das CEBs, como uma oportunidade de revisitar a história dos Intereclesiais e reviver a memória dos anos efervescentes do surgimento das CEBs no Pós Concílio Vaticano II. Afinal, são 50 anos de Intereclesial.

Esse “Novo jeito de ser Igreja” foi tão amplamente abraçado, nos anos de 1960 e 1970, nas Dioceses do Espírito Santo que o estado se tornou referência nesse jeito de ser igreja, dando aos leigos e leigas o espaço necessário para o viver o seu protagonismo, a sua fé, a sua religiosidade, a piedade popular e mais do que isso: a organizar a vida comunitária, a fortalecer a luta pela conquista dos direitos como o acesso à terra, à moradia, aos direitos básicos fundamentais à vida humana.

Os anos se passaram e já nos encontramos no seculo 21 e em todos esses anos, muita coisa mudou! A realidade e as demandas sociais, ambientais, econômicas e junto com essas realidades, houve também muitas mudanças no âmbito eclesial, no qual, aquelas Comunidades de Base já não têm o mesmo fôlego de antes. Os desafios contemporâneos sufocaram o ardor da Fé vivenciada no dia a dia das famílias empobrecidas, das pastorais sociais que embalaram o berço da Pastoral da Juventude, dos Movimentos Sociais e das muitas lutas que mais tarde se transformaram em Políticas Públicas de inclusão social, de saúde pública, de proteção à infância e à juventude, dentre tantas outras.

Foi justamente olhando para esse grande retrovisor das CEBs que os participantes do 15º Encontro Intereclesial escolheram voltar à terra onde tudo começou, não para “chorar o leite derramado”, mas para buscar referências em um modelo de Igreja que, a partir do Concílio Vaticano II, reunia a dor do povo à Palavra Viva do Evangelho e assim encontravam uns com os outros e caminhavam juntos vivenciando a fé na Palavra Encarnada enquanto, paulatinamente, conquistavam o direito de ser igreja, de ser gente, e gente de direitos civis e eclesiais.

Então, desde 2023, a equipe da coordenação ampliada das CEBs e a equipe de coordenação local do evento vem se reunindo e estruturando o grande encontro que acontecerá em 2027. São inúmeras reuniões presenciais e virtuais, visitas técnicas, elaboração de projetos para mobilizar recursos, elaboração de material teórico, serviços de comunicação e divulgação, dentre tantos outros.

Mas, voltando ao Encontro Regional, ontem foi dia de visitar a Paróquia São José Operário para conhecer os espaços onde acontecerão as rodas de conversas, a tenda dos mártires enfim, para conhecer o espaço em geral e foi muito bonito de ser ver a presença forte das mulheres na preparação do ambiente. Não pensem vocês que elas estavam com vasinhos de flores e toalhas brancas nas mãos. Não! Elas estavam com pás, enxadas, vassouras, mangueira e rodos, organizando tudo, tirando entulho, lavando resquícios das obras da reforma, organizando a despensa e cozinha. Uma beleza de se ver e também de se questionar: O que seria da Igreja se não fosse as mulheres? 

Que força! Que vivacidade têm as mulheres dentro da Igreja! Podem até dizer que as CEBs não existem mais, mas acredito que enquanto existir a fé e a força das mulheres dentro da Igreja, ali estará uma Comunidade Eclesial de Base, resistindo e existindo.

Se não fossem as mulheres, presentes de segunda-feira a domingo, no dia a dia das comunidades, como caminharia a nossa igreja? São as mulheres que estão ali, arregaçando as mangas e fazendo acontecer o seu trabalho, muitas vezes na anonimato sem que ninguém perceba. Como vemos, geralmente, nas grandes celebrações, o Altar e o Padre rodeados de homens, pouquíssimas vezes as mulheres estão em lugar de destaque na Igreja.

Quando se fala em liderança formal, a discrepância é ainda maior. As mulheres permanecem nos bastidores, realizando o trabalho invisível e, mesmo assim, dão o melhor de si para manter as comunidades vivas e atuantes. A estrutura hierárquica da Igreja ainda limita o protagonismo feminino, perpetuando lógicas patriarcais que mantêm a desigualdade de gênero, mesmo quando a sustentação prática da instituição depende do trabalho delas.

Ainda assim, foi justamente no espaço comunitário, na vivência da fé dialogada com as dores do cotidiano, que as mulheres encontraram acolhimento para se reconhecerem como sujeitos de direitos. Esse processo as tornou conscientes de que a vocação e a dignidade femininas em nada se subordinam à masculina, e que as relações de gênero devem pautar-se pelo respeito em todos os ambientes. Em vez de aceitarem a submissão, elas aprenderam a reconhecer seu próprio valor e a defender seu protagonismo.

Nossa Igreja caminha com a força, com o apoio e com a atuação das mulheres que não medem esforços pra manter viva ali, aquela comunidade que ela ajudou a construir. São as mulheres que sustentam a vida da nossa igreja principalmente das comunidades mais afastadas, nas áreas mais vulneráveis, lá estão as mulheres! Nas equipes de serviços, nas Pastorais Sociais, sempre prontas para servir a todos e todas. É com elas que a igreja conta no dia a dia nos seus afazeres, muitas delas além das responsabilidades da casa, com a família, com os filhos, com o trabalho fora de casa, ainda mantém o compromisso com a igreja. Um compromisso que é levado a sério, é feito com muita maestria, com muita competência e com muito amor! Elas não medem esforços. Cada gota de suor é também um banho de amor que elas dão e esta igreja. Incontestavelmente, elas são as discípulas de Jesus Cristo!

 

Elizabeth Regina Bento Lopes

Integrante da equipe de organização 

Encontro Regional das CEBs e do 16º Intereclesial das CEBs

 

 

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CEBS-ENTRE A FORÇA EA INVISIBILIDADE DAS MULHERES



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