NATAL- A FESTA DO DEUS QUE SE HUMANIZA.

NATAL- A FESTA DE DEUS QUE SE HUMANIZA.

Djonh Denys Souza dos Reis – Seminarista da Arquidiocese de Londrina

Celebrar a Encarnação do Senhor é viver a festa de Deus que se humaniza. Com a Encarnação Deus nos humaniza ainda mais, e nos apresenta o caminho para o divino. É Ele quem vem. Portanto, o que celebramos no Natal é a grande festa desse Deus que desce à condição de humano, que se faz um de nós.

Por vezes nossa sociedade se esquece de ser humana. Nossas atitudes não são humanas e temos a audácia de querermos ser divinos. Jesus se encarna e nos dá um exemplo de como é viver plenamente a humanidade. Natal é o tempo de recordar nossos laços de amizade, perdão e fraternidade. Que o clima natalino e a consciência de sermos irmãos, não desapareçam quando os enfeites forem retirados das fachadas dos comércios.

Cada homem, ao encontrar Cristo, descobre o mistério da sua própria vida (GS 22). Assim, ao anunciar Jesus de Nazaré, verdadeiro Deus e perfeito homem, a Igreja oferece a todo ser humano a perspectiva de ser “divinizado” e, dessa forma, tornar-se mais homem (GS 41).  A experiência com Jesus nos faz, primeiramente, mais humanos.  Nosso Deus santo, absoluto, eterno e infinito, quis tornar-se “carne” (Jo 1,14). Essa expressão indica a fragilidade e mortalidade próprias da pessoa humana e a grandeza de um Deus que se abaixa (kénôsis).

Olhando para Jesus de Nazaré, presente no Presépio e nos evangelhos, podemos citar um texto de Leonardo Boff: “Ele quis realmente ser como um de nós, como eu e como tu, menos no pecado: um homem limitado que cresce, que aprende e que pergunta; um homem que sabe ouvir e pode responder. Ele conheceu a fome, a sede, a saudade, as lágrimas pela morte do amigo, a alegria da amizade, a tristeza, o temor, as tentações e o pavor da morte e que passou pela noite escura do abandono de Deus. Tudo isso Deus assumiu em Jesus Cristo. A nada foi poupado!”

A Constituição GaudiumetSpes (GS) Nº 27, nos aponta o caminho, quem sabe o consigamos iniciar nesse tempo do Natal: “Sobretudo em nossos dias, urge a obrigação de nos tornarmos o próximo de todo e qualquer homem, e de o servir efetivamente quando vem ao nosso encontro – quer seja o ancião, abandonado de todos, ou o operário estrangeiro injustamente desprezado, ou o exilado, ou o indigente que interpela a nossa consciência, recordando a palavra do Senhor: “todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40).

Que neste Natal, a alegria do perdão seja mais forte e maior do que todo e qualquer ressentimento. Que a fé se revigore, cresça a esperança, e a caridade se torne cada vez mais operosa, em direção a um renovado compromisso de testemunho cristão.  (Bula IncarnationisMysterium, 11).

O Divino se torna humano afim de que o humano se encontre e reconheça, por esse mistério, o Divino na face do seu irmão.

Jesus foi tão humano e nos mostra isso em suas relações comunitárias de anuncio, denuncia e consolo. Os primeiros cristãos recebiam esse nome por serem imitadores de Cristo, portanto busquemos antes de tudo imitar Jesus de Nazaré, o humano, que andava no meio do povo, comia com todos, sentia as dores do povo. Sejamos cristãos, sejamos humanos! Não tenhamos medo de assumir nossa humanidade! Não tenhamos medo de nos convertemos ao amor! Somente assim conseguiremos ser integralmente cristãos!

Feliz festa da humanização de Deus! Feliz Natal!!!

Djonh Denys Souza dos Reis – Seminarista da Arquidiocese de Londrina

djonh_dennys@hotmail.com

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