RISCOS DA CRISE E OS DESAFIOS PARA O POVO DO BRASIL E PARA AS CEBs por Waldir José BohnGass

RISCOS DA CRISE E OS DESAFIOS PARA O POVO DO BRASIL E PARA AS CEBs

Aceitando a provocação de Celso Pinto Carias, no editorial da 3ª edição do Jornal das CEBs, A CAMINHO, – “CEBs: Projeto de Sociedade e Utopia” -, aproveito a desafiadora reflexão que João Pedro Stédile e Guilherme Boulos fizeram conosco nesta sexta, traduzida no texto de Marco Weissheimer:
“A natureza das crises econômica e política, a confluência das mesmas e a agenda do governo de Michel Temer e seus aliados colocaram o Brasil em uma encruzilhada que aponta basicamente para dois caminhos. O primeiro: as forças de esquerda e do campo democrático conseguem construir uma sólida unidade e manter mobilizações massivas de rua, como ocorreu na greve geral do dia 28 de abril e na jornada de Curitiba, dias 9 e 10 de maio, para derrotar o governo golpista e a agenda de destruição de direitos que este vem implementando no país, via eleições diretas este ano ou em 2018. O segundo: o governo Temer consegue aprovar seu pacote de reformas que provocarão um retrocesso de décadas em termos de direitos, aumentando a repressão contra as forças de esquerda e do campo democrático e promovendo um fechamento político ainda maior que aumentará a radicalização social no país. O objetivo desse golpe, resumiu Stédile, é um só: recuperar a taxa de lucro e de acumulação, por meio do aumento da exploração da classe trabalhadora.”
E Boulos deixou claro os desafios desta hora histórica que vivemos:
(1) “Construir uma ampla unidade de todos os setores que resistem ao golpe e à sua agenda. Não podemos nos dar ao luxo de nos dividirmos. Se isso acontecer, cada um vai ser derrotado no seu canto. Talvez eles consigam executar o programa do golpe mesmo com a gente unido. Mas a nossa única chance de vitória é construir essa unidade. Se o golpe seguir na velocidade atual, a radicalidade nas ruas pode aumentar muito. Nosso papel é canalizar essa radicalização de massa para a derrubada deste governo”.
(2) “Além da unidade, precisamos começar a pensar em um programa contra-hegemônico da esquerda brasileira. Não dá para pensar só nas eleições de 2018. Precisamos pensar em um programa para as próximas décadas, com a consciência de que não há mais espaço para avançar sem conflito e enfrentamento. Se não for por opção, é por sobrevivência mesmo, uma vez que não há mais espaço para conciliação. Pensar esse programa é uma condição para disputar o próprio discurso da anti-política, como fizeram recentemente Sanders, nos Estados Unidos, Melenchon, na França e o Podemos, na Espanha. A anti-política tem uma base real, a saber, a percepção de que o sistema político não representa o povo, mas sim o poder econômico. Não podemos entregar esse discurso de bandeja para a direita”.
(3) “Não adianta ter um programa, sem capacidade de mobilização social e de capilaridade social da esquerda. Para isso, é preciso retomar aquilo que foi abandonado: o trabalho de base, pisar no barro, ouvir o povo e construir vínculos estruturais mais fortes com ele. Quando tivemos que resistir ao golpe, pagamos o preço por ter abandonado isso. Só quem conseguiu colocar povo na rua foram os movimentos que tinham trabalho de base”.
Leia todo o artigo: (http://www.sul21.com.br/jornal/stedile-e-boulos-apontam-cenarios-riscos-da-crise-e-os-desafios-para-esquerda/)
Sim, o governo golpista e TEMERário, que completou um ano neste 12 de maio, como afirmaram os bispos na 55ª Assembleia da CNBB, “escolheu o caminho da exclusão social”. Esta posição dos bispos e da CNBB também foi fruto do PROTAGONISMO dos cristãos leigos e leigas que empenham o melhor de suas vidas, solidários/as com os que sofrem, em defesa da justiça e da paz, no seguimento de Jesus de Nazaré, caminho de vida e verdade que liberta.
Pois, como diz a introdução ao texto base do 14º Intereclesial das CEBs, “Deus escuta o clamor do povo que está sofrendo cada vez mais com essa retirada cruel dos seus direitos, todos tão duramente conquistados, e convoca as CEBs a participar – junto a todas as pessoas de boa vontade – de sua libertação”.
Falando aos movimentos populares, no Vaticano e na Bolívia, o papa Francisco afirma que este sistema, – o capitalismo, que tem como coração a ganância sem limites e como estômago o lucro sem fim -, está cada vez mais insuportável: “não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos. Nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra. E queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas.”
Sim, continua Francisco, “uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.”
Aponta as tarefas urgentes: – A primeira tarefa é pôr a economia ao serviço dos povos. – A segunda tarefa é unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça. – A terceira tarefa, e talvez a mais importante que devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra.
E Francisco reafirma o que é o fundamento da nossa fé: O Senhor da nossa história é um Crucificado, ressuscitado por Deus que, nos e pelos CRUCIFICADOS de todos os tempos e lugares, segue forjando história de salvação.
Diz o nosso irmão de fé e companheiro deste CAMINHO, por ora tão escuro, Pastor Francisco, que “o futuro da humanidade está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem, nas mãos dos mais humildes, dos explorados, dos pobres e dos excluídos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Já não se contentam com promessas ilusórias, desculpas ou pretextos. Também não estão esperando de braços cruzados a ajuda de ONGs, planos assistenciais ou soluções que nunca chegam ou, se chegam, chegam de maneira que vão em uma direção: ou de anestesiar ou de domesticar. Isso é meio perigoso. Vocês sentem que os pobres já não esperam e querem ser protagonistas, se organizam, estudam, trabalham, reivindicam e, sobretudo, praticam essa solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem, entre os pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, ao menos, tem muita vontade de esquecer.”
“Vocês”, sim, nós das CEBs, pobres entre os pobres, somos a ESPERANÇA de Um Outro Mundo Possível e urgentemente NECESSÁRIO. Nós, das CEBs, somos chamados a sermos PEDRAS VIVAS (1Pe 2,4-9) nesta Igreja, Povo de Deus em Saída, Comunidades proféticas e misericordiosas a serviço da vida, como também insistem as urgências do das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2015 – 2019 (CNBB).
No meio destes cenários de riscos e desafios, é de novo Francisco que nos convoca: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar este chamado: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EvangeliiGaudium, nº 20). Luz para ajudar a conhecer os sofrimentos dos pobres, sobretudo compreender suas causas e para apontar e vivenciar caminhos alternativos de Justiça e Paz, o que passa pelo empoderamento do Poder popular, impulsionando a organização dos Comitês de Base em defesa da Democracia e dos Direitos.
Se olharmos ao nosso redor, vemos muitos sinais de Esperança e podemos também cantar com nosso papa, quando no seu primeiro encontro com os Movimentos Populares (Vaticano, outubro de 2014), proclamou as maravilhas que Deus opera por e com sua gente humilhada: “Como é lindo quando vemos em movimento os Povos, sobretudo os seus membros mais pobres e os jovens. Então, sim, se sente o vento da promessa que aviva a esperança de um mundo melhor. Que esse vento se transforme em vendaval da esperança.”

Acesse o jornal A Caminho aqui: http://www.cebsdobrasil.com.br/jornal-a-caminho.html

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