O GRITO DOS EXCLUÍDOS NOS AJUDA A SANEAR OS CORAÇÕES

Pe. Vileci Basílio Vidal
Assessor das CEBs

 

Vamos às ruas e praças sanear o coração da sociedade marcada pela contaminação da mídia, golpeada por um grupo de políticos que cria uma “rede de esgoto” por onde passa os dejetos da lava jato, longe de uma racionalidade socioambiental, tornando-se empecilho para a utopia da sustentabilidade. O mundo dos excluídos até parece que veio para ficar. Ele é produzido pelo sistema econômico atual que vai gerando cada vez mais exclusão. As comunidades indígenas e quilombolas estão sendo bombardeada por interesses do capital que não homologa suas terras situadas no corredor da mineração, uma das grandes forças econômicas no país. E a tragédia de Mariana torna-se um grito que ecoa nas Comunidades de Base na América Latina. A ausência de saneamento básico é um crime ambiental que atinge violentamente as comunidades urbanas com a falta de abastecimento de água que assegure a higiene e o conforto, com qualidade compatível com os padrões de potabilidade; coleta, tratamento e disposição adequada dos esgotos e resíduos sólidos; drenagem e manejo de águas pluviais; controle ambiental de roedores, insetos, helmintos e outros vetores e reservatórios de doenças.

A Campanha Água Nossa de cada dia convoca toda a sociedade a assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e a empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum. Estamos vivendo uma crise de sustentabilidade: falta água para nossa gente no sertão nordestino e tantos outros lugares. Nesta edição do 22º grito dos excluídos, unimo-nos ainda contra a contaminação das águas pelos agrotóxicos e contra as grandes obras hídricas que geram profundo impacto ao meio ambiente e não garante água a quem mais precisa. A mídia não diz que poluir as águas, danificar os rios, os lenções subterrâneos e destruir as nascentes significa atentar contra todas as formas de vida porque compactua com as mais perversas formas do sistema econômico. A água é um direito fundamental do ser humano e tem que ser gerenciada pelo poder público, com participação de toda a sociedade, especialmente das comunidades locais. Casa comum, responsabilidade de todos nós.

O grito dos excluídos tem como propósito unir todas as pessoas que defendem a vida, que lutam pela justiça e a paz nesse nosso Brasil e procura afirmar uma racionalidade ambiental se reapropriando socialmente da natureza. Nós somos as forças criativas presentes na diversidade cultural que, indagado pela história de resistência da nossa gente, almejamos a utopia de um futuro sustentável. Sanear o coração de todos em busca do bem-viver é a nossa missão. Que haja mais saneamento e menos mosquito!

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