/
/
Manifesto: A Vida das Mulheres exige o nosso Grito!

Manifesto: A Vida das Mulheres exige o nosso Grito!

“A maneira como tratamos uma mulher revela nosso grau de humanidade”. Papa Francisco

Nós, lideranças atuantes da igreja católica motivados por uma fé que não se omite e age para transformar a sociedade, somamos nossas vozes para celebrar os avanços dos 20 anos da Lei Maria da Penha, principal marco jurídico na defesa da mulher, e ao Grito dos Excluídos 2026, que nos alerta da urgência em mantermos nossas “Mulheres Vivas”! Nossa iniciativa tem por objetivo colaborar com reflexões, campanhas e ações que dialoguem com outras religiões, diversos segmentos sociais e movimentos populares, a fim de somar esforços no enfrentamento às múltiplas violências contra as mulheres que se intensificaram nos últimos anos com discursos de ódio nas redes sociais e a naturalização do feminicídio.

Reconhecemos que a Lei Maria da Penha, promulgada em 2006 trouxe importantes avanços na prevenção, nos mecanismos de proteção, assistência e responsabilização no enfrentamento à violência contra as mulheres! A criação de uma Rede de atendimento, composta de psicólogos e assistentes, articulada aos órgãos de segurança pública juntamente com as Varas e Juizados Especializados de Violência Doméstica e Familiar deu outro rumo aos casos de violência que antes acabavam com um pedido de desculpas ou o pagamento de uma cesta básica. Hoje as mulheres têm direito as medidas protetivas, são atendidas nas Casas da Mulher Brasileira e podem utilizar o disque 180, que é um canal de denúncias que em 2025 teve um aumento de 33%. Consideramos também, que com a promulgação da Lei do Feminicídio o estado brasileiro deu um passo importante e atualmente “matar mulher por razões da condição do sexo feminino” constitui crime tipificado no código penal!

Entretanto, apesar dessas consideráveis conquistas, protagonizadas pela luta dos movimentos de mulheres, continuamos amargando segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o 5º lugar no rank mundial como o país que mais mata mulheres no mundo. Recentemente o Atlas da Violência revelou que 88% das mulheres já sofreram violência psicológica, que grande parte dos casos ocorre na presença dos filhos pequenos e em 61% dos casos, o agressor é conhecido da vítima (companheiros ou ex-companheiros). Segundo o portal do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), por dia morrem cerca de 4 mulheres vítimas de feminicídio no país.

É preciso que nos perguntemos então, como parar com tamanha violência que ceifa a vida de tantas mulheres? Sabemos que historicamente as relações entre mulheres e homens foram construídas e definidas, a partir da definição dos papéis de cada um na sociedade. Enquanto as mulheres foram criadas e ensinadas a cuidarem dos lares e dos filhos, aos homens foi dado a oportunidade de escolher o seu lugar no mundo (regime patriarcal cuja estrutura social baseia-se na dominação masculina sobre mulheres que reforça o machismo). Pesquisas apontam que as motivações mais comuns dos agressores envolvem sentimento de posse sobre a mulher, forte desejo de limitar a emancipação feminina no campo profissional, econômica, social e intelectual. Sociedades machistas favorecem as agressões violentas às mulheres, como o crescimento do feminicídio, da violência doméstica e dos casos de estupros, naturalizando essas violências! De acordo com os últimos dados do Mapa da Violência, a taxa de assassinato de mulheres negras é maior do que as mulheres brancas e teve um aumento de 54% em dez anos.

Nesse sentido, manifestamos nosso firme propósito em evidenciar esforços em defesa da vida das mulheres, contra todas as formas de opressão que culminem em práticas de violências e feminicídios; divulgar canais de denúncias e protocolos de atendimento às vítimas; promover atividades de sensibilização com outros parceiros e promover campanhas que eduquem para o respeito entre homens e mulheres e para uma cultura de paz!

“É preciso uma aldeia para educar uma criança!” Provérbio Africano

Setembro de 2026.

 

Compartilhar:

Outras notícias