Mensagem do Regional Nordeste 3 à Ampliada Nacional por ocasião do 14º Intereclesial da CEBs

“Tudo está interligado, como se fossemos um, tudo está interligado nesta Casa comum”

Chegamos à Estação Londrina e às suas praças acolhedoras aquecidas pelo calor do verão do Sul e carinho da recebida em nossos lares provisórios. De 23 a 27 de janeiro foi nosso tempo de pouso na “Capital do Café”, neste tempo, refletimos e procuramos respostas e ações para os problemas que atingem nosso viver nas cidades e a Vida em todas as suas formas, sob o Tema: CEBs e os desafios do Mundo Urbano, iluminados pelo Lema:“Eu vi e ouvi os clamores de meu povo e desci para libertá-lo.”(Ex3,7). E quantos são estes desafios! Quantos são estes clamores!

Estivemos presentes como representantes de 19 dioceses e arquidioceses do Regional NE3 (Bahia e Sergipe), do CIMI, da CPT, do Conselho de Leigas e Leigos do Brasil e das pastorais da juventudes, 104 delegadas e delegados, sendo 79 leigas e leigos, 07 religiosas, 16 padres, 01 seminarista e 01 bispo (D. Zanoni).

Desafios são os motores que movimentam o nosso caminhar nas Comunidades Eclesiais de Base e eles são diversos, assim, faz-se necessário, para que a profecia seja realizada, que nosso falar, refletir e agir sejam comungados.

Nestes dias, presenciamos momentos proféticos, que nos trouxeram ânimo e luzes para nossas caminhadas nas bases para onde retornaremos. No entanto, ainda é perceptível como em muitos momentos nos distanciamos desta profecia quando não permitimos o direito à expressão, quando calamos as vozes daqueles e daquelas que proclamamos como excluídos e excluídas escancarando que a sensibilidade e ternura devem ser exercitadas em nossas práticas cotidianas.

O 26 de janeiro, no mínimo nos mostrou como não devemos agir. Como não devemos conduzir as nossas atividades nas bases, a fim de não reproduzir a cultura de morte em/de nossas comunidades.

Os momentos vivenciados estes dias, foram proféticos. As cirandas, expressões de luta e esperança nos conduziram e animaram para as trocas de experiências e falas durante todo o Encontro. O monge Marcelo Barros deu o tom de nosso dever enquanto comunidades: cuidarmos uns/umas dos/as outros/as, cuidarmos da fé especialmente os das religiões de matriz africana. As falas que se seguiram estes dias foram um chamado para o trabalho de base, com o compromisso de para a volta aos pequenos grupos, à conscientização de forma a conduzir-nos ao Bem Viver, ao zelo com nossa Casa Comum e à garantia do cuidado e da promoção à VIDA;

  • formas de consciência política, econômica, social e ecológica, fundamentadas no ecumenismo, na alteridade, nos princípios de equidade e justiça, bem como no respeito às diversidades e desta maneira, entendemos que as ações das CEBs da Igreja enquanto instituição devem sempre ser sustentadas por tais orientações.

Seguimos agora para nossos pontos de partida/chegada com a certeza dos ânimos aquecidos e revigorados pelo divino fogo indígena, e confiantes de novas reflexões a cerca de nossas ações e posturas diante dos desafios que se põem em nosso meio e nos impulsionam a caminhar no seguimento de Jesus. Com a certeza de que precisamos nos fazer presente nas periferias sociais e geográficas, orientadas e orientados pelo caminho– casa – mesa – missão, devemos fazer nossa travessia de retorno às bases, assumindo e reafirmando o compromisso de:

  • Zelar de nossa Casa Comum, em especial o conflito da ÁGUA do Rio Correntina, a degradação do Rio São Francisco e do bioma Cerrado;
  • Fortalecer as bases com círculos bíblicos;
  • Formação fé e política;
  • Aproximar a juventude e suscitar novas lideranças;
  • Articulação do Regional NE3 das CEBs com o Conselho de Leigos e Leigas;
  • Estreitar e fortalecer os laços na dinâmica do cuidado a partir de uma comunicação mais humana.

Londrina, 27 de janeiro de 2018.

One Comment

  • Gibran Luis Lachowski

    Muito bonita e completa essa mensagem. Sincera, corajosa. Luminosa, enfim. Que o povo das bases da nossa igreja na Bahia e em Sergipe sigam na caminhada com este espírito carinhoso e altivo. Amém! Axé! Awire! Aleluia!

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