Reflexões da Palavra | 28º Domingo do Tempo Comum | Ano A

Leituras: Is 25,6-10a – Sl 22 – Fl 4,12-14.19-20 – Mt 22,1-14

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

A liturgia deste domingo dá continuidade ao diálogo que Jesus trava com as autoridades religiosas no templo de Jerusalém. Trata-se da terceira parábola em que Ele apresenta o Reino dos céus como resposta aos que o questionam sobre a autoridade com que ensinava. Além de apresentar o Reino dos Céus com características muito diferentes do que a religião oficial pregava, Jesus põe em xeque aquele tipo de religiosidade.A imagem do banquete é muito rica no contexto bíblico, e a festa por excelência na antiguidade, era a festa de casamento: durava sete dias – ou mais! – dependendo das posses dos noivos, e evocava alegria, amor e perenidade/eternidade. E as pessoas esperavam ansiosas serem convidadas para uma festa de casamento pois havia comida e bebida com fartura! É neste contexto que Jesus narra a parábola de uma rei que enviou seus empregados para chamar os convidados para a festa do casamento de seu filho. Quem foram convidados? Os amigos, parentes, privilegiados da família. Estes não foram. O rei mandou convidar de novo, alegando estar tudo pronto para a festa, e, novamente não foram. Indignado, o rei mandou que fossem às encruzilhadas dos caminhos e convidassem a todos que encontrassem. E a sala ficou cheia de convidados. Nesta parábola, Jesus apresenta uma síntese da História da Salvação: Israel foi o povo convidado em primeiro lugar, o mais íntimo, eleito e querido. Mas estes estavam fechados à conversão, rejeitaram o chamado. A insistência do convite mostra que haverá festa! Está tudo planejado, pronto. E o Senhor universaliza o convite, manda buscar todos, pelas encruzilhadas… na periferia, lá onde os “não-tão-bons” moram, os pobres, os marginalizados, os excluídos. Este talvez seja o versículo mais importante da parábola, uma indicação para irmos à periferia, para entendermos a “Igreja em saída” do Papa Francisco. É a perspectiva de inclusão, de busca, de unidade, de universalidade do anúncio do Reino. Todos foram convidados. E a sala encheu-se, de bons e maus… O rei, adentrando a sala, observou que um convidado não possuía o traje de festa, sendo, por isso, expulso do banquete. Este desfecho nem sempre é compreendido por nós. Afinal, ele chamou a todos, de última hora, foram pegos de surpresa, sem distinção, bons e maus, a ainda faz a exigência de traje de festa???? O traje festivo significa que aceitar o convite, significa “compromisso” por parte do convidado. Implica entrar em comunhão com o Senhor da festa e com demais convidados. Aqui devemos nos perguntar se possuímos a veste, o traje para o grande banquete! Se estamos em comunhão com o dono da festa, com os membros da nossa comunidade, com os que moram/vivem nas encruzilhadas, com os pobres. Muitos de nós até aceitaram o convite, mas não possuem a “veste” o “traje” da festa… Não basta estar na festa – ir à Igreja, ser ministro, coordenador das pastorais, participar assiduamente dos sacramentos – se não agrego os excluídos, se discrimino os LGBTs, se tenho posturas moralizantes com os divorciados, se julgo ser melhor a “minha religião”, se uso o poder para aparecer e humilhar as pessoas. O fato de participarmos de uma comunidade ou Igreja não é garantia de salvação. A garantia é colocarmos em prática as bem-aventuranças, elas são os tecidos que podemos usar para ir confeccionando a nossa veste… o nosso traje real, o nosso traje de festa! Que o Senhor nos ajude a aceitar o convite para o grande é eterno banquete da vida. Que ao aceitá-lo possamos responder com a nossa adesão e compromisso com as causas que defendem os pobres e os mais vulneráveis, os pequenos. Que nos empenhemos em ir “costurando” a nossa veste com a linha da Alteridade – avivamento seguro – que nos dá coragem e força para nos comprometermos sempre com o “Outro”, com os irmãos e irmãs. Que seja assim.

Beijos no coração.

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