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Reflexões da Palavra | Domingo de Ramos – Ano B

Leituras: 2Cr 36,14-16.19-23 – Sl 136 – Ef 2,4-10 – Jo 3,14-21

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

Na encarnação, Jesus fez sua a pobreza radical do ser humano perante Deus. Coerente com esta escolha, apoiou-se na Palavra do Pai, que nas Escrituras e nos acontecimentos lhe indica o caminho para cumprir sua missão, que não era necessariamente morrer na cruz, mas sim libertar-nos do mal e da escravidão que ele cria e alimenta. Por isso Jesus não se subtraiu à condição do pecador, ao sofrimento que provém do egoísmo, nem aos limites da natureza humana, dentre eles a morte. Um ser humano como todos nós, um pobre em poder dos poderosos, vemo-lo como uma vítima da intolerância e da injustiça, um amotinador sacrificado pelos seus, por um ardiloso cálculo político.

Mas isso não bastaria para fazer dele um salvador. O que resgata a sua morte, o que a transfigura é o imenso peso de amor com que faz o dom da sua vida, para libertar-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da autossuficiência; para tornar-nos como ele, disponíveis a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar, de ter confiança e reconstruir, de crer no ser humano, ultrapassando as aparências e as deformações. Jesus cumpre sua missão oferecendo-se a si mesmo como vítima inocente, para expiar os pecados do povo.

Jesus morre numa atitude de solidariedade e de serviço a todos. Toda a sua vida consistiu em defender os pobres frente à desumanidade dos ricos e poderosos, em solidarizar-se com os vulneráveis frente aos interesses egoístas dos governantes, em anunciar o perdão aos pecadores frente à dureza irredutível dos que se achavam “justos”.

Neste momento em que o mundo sofre a violência de uma pandemia, em que o Brasil é o epicentro do mundo em mortes causadas pelo coronavirus, unamo-nos às dores e lágrimas de todas as famílias enlutadas no sentido de emprestarmos as nossas vozes, a nossa força, a nossa influência sociopolítica para que a vida seja respeitada, a dignidade humana não seja violada, que o povo seja a maior riqueza de um país e não o capital e a economia.

Que a memória da morte-paixão de Jesus nos dê força e coragem para não sucumbirmos aos interesses políticos assassinos, ao uso da mentira para propagar esperanças e políticas enganosas, à força da ideologia da morte que assola o nosso mundo e, de forma especial o nosso Brasil.

Que a morte de Jesus espelhe a morte de tantos irmãos e irmãs inocentes que não teriam morrido se este país tivesse políticos mais sérios e comprometidos com o nosso povo.

Que seja assim. Beijos no coração.

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