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Reflexões da Palavra | 3º Domingo da Páscoa – Ano B

Leituras: At 3,13-15.17-19 – Sl 4 – 1Jo 2,1-5a – Lc 24,35-48

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

No domingo passado vimos a incredulidade de Tomé diante da ressurreição de Jesus. Neste, deparamo-nos com uma cena semelhante: os discípulos do caminho/Emaús, voltando para Jerusalém, ainda muito entusiasmados com o ocorrido, no qual haviam reconhecido o Senhor Jesus ao partir o pão, ficaram assustados, cheios de medo. Jesus novamente os saudou, desejando a paz. Imaginando estarem vendo um fantasma, foram acalmados com a explicação de Jesus que lhes mostrou as mãos e os pés com as marcas dos pregos, insistindo que o tocassem e, assim, o reconhecessem. E novamente Jesus discorreu sobre as escrituras para que entendessem os acontecimentos, o ocorrido, a História.

Penso que podemos nos deter em dois pontos importantes do Evangelho deste domingo:

  1. É no caminho, na saída, no êxodo que tomamos consciência dos acontecimentos, que construímos a história e que percebemos a realidade. Quando fico dentro do “meu mundinho”, preocupado/a com os “meus problemas”, com a “minha família”, perco o “bonde” da história e fico alienado… Saída é a palavra de ordem do nosso Papa Francisco. Sua proposta de uma Igreja de/em saída, junto ao seu exemplo, exorciza-nos de um modelo de Igreja voltada para ela mesma, com um cheiro de mofo das antigas sacristias, sem ventilação, não arejadas…
  2. Estando a caminho ou no caminho, urge iluminar a nossa realidade com a Palavra de Deus. É ela que dá luz e brilho a esse caminho muitas vezes escuro e incompreensível. Como Lucas nos narra, Jesus fez memória da Lei de Moisés, dos Profetas, e dos Salmos. Isto fez “abrir a inteligência” dos discípulos que entenderam as Escrituras. O estudo da Palavra faz-se necessário e imprescindível para entendermos a realidade que nos cerca, para aguçar a nossa inteligência!

Caminhar e iluminar a caminhada com a Palavra das Escrituras são os grandes desafios daqueles que querem ser discípulos/as de Jesus. Um não sobrevive sem o outro: a Palavra de Deus fora da contextualização histórica não tem vida, pode levar ao fanatismo, a uma fé infantil, ou a uma fé estéril e sem vida. Segundo o relato evangélico, os discípulos de Emaús, contavam o que lhes tinha acontecido no caminho. Caminhavam tristes e desesperançados, mas algo novo despertou neles ao encontrar-se com um Cristo próximo e cheio de vida. A verdadeira fé sempre nasce do encontro pessoal com Jesus, com um Jesus que se faz companheiro de caminho. Neste época de pandemia e de isolamento aproveitemos para perceber o que pode ser feito neste “caminho” tão difícil e sombrio, a descobrir onde está Jesus, nosso amigo de caminhada.

Que seja assim. Beijos no coração.

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