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Reflexões da Palavra | 15º Domingo do Tempo Comum – Ano B

Leituras: Am 7,12-15 – Sl 84 – Ef 1,3-14 – Mc 6,7-13

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

Neste domingo a nossa reflexão aponta para a continuidade do ministério de Jesus, associando os discípulos à sua obra, colocando, assim, em ação, a finalidade para a qual os chamou. Jesus chamou os Doze, deu-lhes poucas instruções, mas precisas: apresentar-se de forma pobre, contentar-se com a hospedagem que lhes é dada, não impor seu ensinamento, mas anunciá-lo de pessoas livres, para pessoas livres, acentuando, porém, a responsabilidade da recusa. Os discípulos de Jesus devem desempenhar a missão que lhes é confiada, no estilo de Jesus. E a primeira leitura também vai nessa mesma linha do Evangelho, fala do encontro do profeta Amasias com Amós, que é enviado à exercer a profecia e o modo de fazê-lo: com a simplicidade de quem é um pastor de gado e agricultor que cultivava sicômoros = uma figueira que produzia frutos de qualidade inferior.

Estas informações nos levam a deduzir que a profecia/evangelização desde o AT até Jesus passa pelas mãos, pela responsabilidade de pessoas simples, iletradas, sem a “competência” esperada ou requerida. Conhecemos um pouco o “currículo” dos Doze que Jesus chamou para segui-lo… não eram lá grande coisa! Hoje a realidade não é muito diferente. Nem sempre os que se dispõem a seguir o Mestre – e isso implica mais que falar bonito, ter conhecimento teológico e/ou títulos acadêmicos – têm os atributos esperados e reconhecidos pelos que serão evangelizados ou ouvintes da Palavra. Por vezes, são os mais humildes, os mais pobres, os menos instruídos, os que não sabem usar fluentemente a língua de origem. Mas são estes que têm mais disponibilidade para o seguimento, para abrir caminhos que nos levem a uma nova forma de vida – ao Bem viver. São estes que evangelizam com o seu testemunho, com a sua vida, com poucas palavras, que trocam os discursos teológicos impecáveis por atos simples e convincentes, eficazes, incontestáveis. São estes que têm um coração puro e que largam tudo para jogar as redes em outros mares…
O seguimento a Jesus passa hoje por mudanças profundas. O “novo normal” trazido pela pandemia nos leva a pensarmos no que significa ser um discípulo/discípula evangelizador/a no mundo pós-moderno… um cristão batizado consciente das suas responsabilidades e da sua missão. Ainda insistimos em grandes reuniões, enormes celebrações, eventos de massa… repensar isso – e já temos sinais reais destes desafios – é o que temos de mais “novo” e “normal” nestes novos tempos… Talvez uma nova evangelização e o seguimento a Jesus passe hoje pelo ser presença na ausência, pelo tocar o coração à distância com a mediação das modernas tecnologias, ainda privilégio de alguns… Talvez hoje o chamado de Jesus passe pela luta de uma inclusão social dos mais pobres, dos mais distantes, que estão não só nas periferias da cidade, mas nas periferias das nossas igrejas, das nossas comunidades, na periferia do nosso coração. Pensemos nisso! Pensemos nas transformações pelas quais o mundo passa e com ele a Igreja, e com ela o anúncio da Boa Nova de Jesus! Pensemos na imperiosa necessidade da transformações – pessoais e eclesiais – no trabalho evangelizador: mais humanidade, mais misericórdia e menos estruturas engessadas pelo poder institucional, pelos rubricismos e pelo legalismo. Que o Senhor nos dê coragem e discernimento.

Que seja assim. Beijos no coração.

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