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As vozes negras e indígenas na encruzilhada civilizacional

As vozes negras e indígenas na encruzilhada civilizacional

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Há uma explosão de vozes negras e indígenas – masculinas e femininas – no mundo contemporâneo, o que constitui um fenômeno inovador. Uma das sugestões do Papa Francisco no Sínodo para a Amazônia é que tivéssemos a capacidade de ouvir a fala dos povos originários e tradicionais. Ele chega a afirmar no “Querida Amazônia” que, muitas vezes, a extinção de uma tradição cultural dessas, é tão ou mais prejudicial à humanidade que a extinção de uma espécie animal ou vegetal. No ano passado passei a ler muito da literatura de autores indígenas, ainda não encontrei textos ou livros de autoras indígenas. Claro, acompanho com cuidado falas como a de Txai Suruí na ONU, ou das jovens mulheres indígenas que estão em diversos campos da sociedade no sentido de defender os interesses de seus povos. ...
Minas ferida

Minas ferida

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Lágrimas são sangue que escorre das feridas da alma, canta a poesia. Mais uma vez, Minas está ferida, lágrimas no rosto dos pobres, que perderam o pouco que possuíam, o essencial para viver, amparados para não passarem fome, no cenário de um Brasil faminto. Vidas estão perdidas, há luto cobrindo de sombra famílias e corações. Uma dor lancinante no coração do outro que precisa ser assumida como própria dor, gesto solidário de cidadania, alavanca de reconstrução. O clamor surdo que ecoa aos céus denuncia:  Minas ferida escancara, nas riquezas de sua cultura, na especialidade de sua gente generosa e solidária, nas riquezas de sua natureza pródiga, no seu patrimônio religioso e familiar, os descompassos que exigem mudanças radicais e urgentes no modo de se governar, na maneira extrativis...
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2022

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2022

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Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs.* Cartaz CF2022 - Fonte: campanhas.cnbb.org.br A Campanha da Fraternidade de 2022 (CF/2022) reflete o tema da educação. Nos dias de hoje, trata-se de um assunto oportuno, de suma relevância e até mesmo profético. Que ocorreria com uma pessoa, um país ou uma sociedade que não levasse em conta uma formação crítica e sólida? Nosso grande educador, Paulo Freire, insistia na Educação como prática da liberdade, título de uma de suas obras básicas. Outro de seus livros, Pedagogia do oprimido, por sua vez, vincula a educação fundamental a um diálogo crítico e transformador com a realidade socioeconômica e cultural. Quanto ao lema, a CF/2022 optou por uma frase bíblica tirada do Livro dos Provérbios: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Pr 31,26). Vale sub...
ANO NOVO: UMA OPORTUNIDE PARA QUE SEJAMOS RENOVADO(A)S.

ANO NOVO: UMA OPORTUNIDE PARA QUE SEJAMOS RENOVADO(A)S.

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“Eis que faço novo todas as coisas.” Apocalipse 21,5). Por Antonio Salustiano Filho* Eu e você somos, cada um(a), em nossa individualidade/singularidade, um dos maiores milagres da natureza. A síntese inteligente e consciente de tudo que ela é. Assim como a natureza não assimila as derrotas que lhe são impostas, emergindo sempre vitoriosa, dado seu poder incomensurável de regeneração, assim somos nós. Ou pelo menos deveríamos ser. Como exemplar da espécie humana e dotado(a)s da sabedoria universal, que promoveu a vida nesses bilhões de anos dessa aventura cósmica e terrenal, somos destinado(a)s a superarmo-nos sempre, não assimilando as derrotas e nem os fracassos eventuais como condição definitiva da existência. Se por acaso cairmos, levantemo-nos da queda com mais coragem p...
NATAL: UM PRESENTE DE DEUS À HUMANIDADE

NATAL: UM PRESENTE DE DEUS À HUMANIDADE

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Por ANTONIO SALUSTIANO FILHO* Em outro artigo sobre esses tempos natalinos, entre outras coisas, escrevi que “o Natal virou uma festa profana das compensações inconscientes daqueles que durante o ano todo estão ausentes da vida das pessoas que fazem parte do seu círculo de amizade e parentesco”. Fizemos críticas à orgia da gastança com presentes e mais presentes àquele(a)s a quem queremos compensar pela falta de afetividade com que lhes tratamos o ano inteiro. Fizemos alguns comentários sobre os milhões de famélicos que estão por aí e são produtos do sistema que ajudamos a manter. Gente que na noite do Natal passa fome, ou come miseravelmente graças às esmolas que damos por desencargo da consciência. Não que seja sempre assim com a totalidade das pessoas, mas, com a maioria, ...
Para que este Natal seja novo

Para que este Natal seja novo

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Por Marcelo Barros A celebração deste Natal de 2021 nos convoca à esperança e à renovação da vida. Mesmo se temos muitos motivos de preocupação e estamos encerrando um ano que, em matéria de sofrimentos, não nos poupou, a festa do Natal, desde suas origens anteriores ao Cristianismo, por festejar o ciclo solar, é celebração da luz que vence as trevas. Em um dos evangelhos lidos nas comunidades para preparar o Natal, o profeta João Batista anuncia Jesus como aquele que vem nos mergulhar na ventania do Espírito e no fogo. E fazer com que dentro de nós e no mundo, reacendamos o fogo da justiça amorosa, da solidariedade e do cuidado uns com os outros e com a mãe Terra e a natureza. A celebração do Natal não é apenas simples memória de um aniversário. Deve convocar todas as pessoa...
UMA REFLEXÃO ANTES DO NATAL

UMA REFLEXÃO ANTES DO NATAL

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Por Antonio Salustiano Filho (Tonhão)* Estamos nas proximidades de mais um Natal, a festa da natividade do Senhor Jesus, o Deus que se fez homem na criança frágil que nasceu na periferia do Império Romano, na longínqua cidadezinha de Belém (ou Nazaré?), numa região de rebeldes que se insurgiam contra o Império Romano e a elite Judaica a serviço de Roma; um povo oprimido, porém, na expectativa da vinda do Messias outrora prometido por Deus pelas vozes dos Profetas. Andando pelo Shopping Center da minha cidade, e outras tantas cidades não são diferentes, percebo que a figura central do Natal não é o Menino-Jesus, sim papai Noel: velhote-propaganda da sociedade de consumo, personagem que deturpou a figura lendária do verdadeiro Papai Noel em nome das compras de presentes promovida ...
A PROPÓSITO DA EVOLUÇÃO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE (CEBs)

A PROPÓSITO DA EVOLUÇÃO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE (CEBs)

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Por Antônio Salustiano Filho (Tonhão)*   O presente artigo, sem qualquer pretensão de ser um texto polêmico, tem o propósito de rebater ideias que são ditas por aí sobre as CEBs. Também não tem intenção de estabelecer rivalidades entre pensamentos diferentes sobre tema a que propõe. Mas pretende ser um ruminar de ideias que vão na contramão daquelas que pretendo, por amor ao debate, rebater. Ouvi um discurso de certo clérigo que dizia que hoje os tempos são outros, que a Igreja mudou e que as CEBs devem mudar para se adequar aos novos tempos da Igreja (?). Só não disse que “tempos outros” são esses. Confesso que ouvi o tal discurso calado, mas com uma ponta de indignação. Fiz um esforço danado para não lascar, de supetão, um contradiscurso rebatendo tal ideia. Mas hoje, sem a ...
COVID-19: O TEMPO URGE E AMANHÃ PODE SER TARDE E TODOS PODEMOS PERECER

COVID-19: O TEMPO URGE E AMANHÃ PODE SER TARDE E TODOS PODEMOS PERECER

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Por ANTONIO SALUSTIANO FILHO* Há uma gama de intelectuais e pensadores em diversos ramos da ciência e da religiosidade analisando e pensando sobre a pandemia do Coronavírus e sobre o pós-pandemia. É muito comum ver na mídia e redes sociais um certo ar de alívio ao se constar que a Covid-19 está sendo debelada, como se o fim da pandemia fosse a salvação da humanidade. Mas não é. Longe de mim – um simples advogado da periferia de uma cidade interiorana onde, atuo como ativista dos movimentos sociais e trabalho para ganhar o pão nosso de cada dia – ser um profeta do agouro. Sou um idealista com os pés no chão.  E por pisar no chão tenho um certo pessimismo com relação ao pós-pandemia. Tenho esperança, mas acredito que se não há esperança em mutirão não vamos muito longe; se...
CEBs: ESPAÇO DE CURA E LIBERTAÇÃO

CEBs: ESPAÇO DE CURA E LIBERTAÇÃO

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Por ANTONIO SALUSTIANO FILHO (TONHÃO)* Naquele dia Adelaide foi à missa na Catedral. Tinha participado do grupo de oração de católicos neopentecostais. N’outra ocasião fora um culto evangélico. Também já havia participado de um ritual do Candomblé. Já havia visitado um Pai e uma Mãe de Santo. Buscava a todo custo a cura e libertação para seus males acumulados. Em outra ocasião, desesperada com sua depressão e quase loucura, ainda sobre os efeitos dos psicotrópicos e calmantes e antidepressivos, ela foi à igreja da comunidade onde morava. Alienada pelos rituais de cura e libertação do grupo de oração que participava, não gostava nada do padre Januário, um religioso tido como comunista recém-chegado ao lugar. Despejou suas lamúrias ao padre que a ouviu impacientemente, mas ouvi...