Reflexões da Palavra | 30º Domingo do Tempo Comum | Ano A

Leituras: Ex 22,20-26 – Sl 17 – 1Ts 1,5c-10 – Mt 22,34-40

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

No tempo de Jesus não era fácil para as pessoas orientarem-se segundo a enxurrada de preceitos e proibições contidas na lei e que lhes eram impostas. Novamente, como nos domingos anteriores, querem surpreender Jesus e desta vez os fariseus perguntaram para experimentá-Lo: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” – ao que Jesus responde: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento”. Esta resposta de Jesus talvez não tenha trazido nenhuma novidade, afinal, todos os homens judeus repetiam essas palavras diariamente, no começo e no fim do dia. O que causou espanto e os deixou desconcertados foi que, em seguida, Jesus acrescentou algo que ninguém havia perguntado: “O segundo é semelhante a esse: amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Para Jesus, estes “dois amores” são inseparáveis. Não se pode amar a Deus e ignorar o seu irmão. Quando Deus se revela pessoalmente a nós, ele o faz servindo-se de categorias humanas. Revela-se como Pai, como Filho, como Espírito de Amor. Revela-se na encarnação humana de seu filho Jesus. Por isso, não é ousadia afirmar que é preciso conhecer o ser humano para conhecer a Deus. O humano é mediação para conhecermos o divino, ainda que parcialmente. O encontro com Deus renova e aperfeiçoa a atenção e a solicitude para com as pessoas – cf. 1a leitura – Nunca vimos nas Sagradas Escrituras exigências de que devemos nos afastar do mundo, dos irmãos, da História para agradar ou encontrar a Deus… pelo contrário: Iahweh pergunta a Caim: onde está o teu irmão? Na Transfiguração, quando os discípulos quiseram armar tendas e ficar na “montanha” foram enviados à planície, à realidade, ao lugar de desafios e de crise. As leituras de hoje dispensam profundas explicações, mas nos exigem sincero discernimento e urgentes ações. Elas recordam o amor aos estrangeiros/imigrantes, o acolhimento aos órfãos e às viúvas, a solidariedade com os pobres, a inclusão dos párias da sociedade, a assistência aos que não têm teto, não têm trabalho, aos LGBT+ enfim… O amor ao próximo exclui a cobrança de juros – a usura – a ganância, o enriquecimento ilícito, o capitalismo selvagem, a destruição do meio ambiente, a usurpação das nossas floresta para fins políticos e lucrativos. A atenção a Deus e a atenção aos irmãos são inseparáveis. Não é possível amar a Deus e não nos preocuparmos com as pessoas que sofrem e que são prioridade no coração do nosso Pai. “Eu tive fome… eu tive sede… eu estava preso…”. Que estas leituras nos ajudem a refletir sobre o nosso amor a Deus. Que elas possam iluminar a nossa vida, fazendo-nos ser mais coerentes, mais compassivos e sobretudo mais fraternos. Que o nosso amor possa ser “medido” pelo tamanho da minha disponibilidade em lutar pela justiça, em acolher os excluídos, em amar os pobres. O amor a Deus passa pelo amor aos irmãos: é o encontro de dois amores! Que seja assim.

Beijos no coração.

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