“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros” 5º Domingo da Páscoa – Quininha Fernandes Pinto

    Jesus amou os pobres, os pequenos e os mais vulneráveis, prometendo-lhes a primazia do Reino – não lhes deu apenas cestas básicas e roupas usadas…

O evangelho de hoje está situado imediatamente ao trecho que narra a traição de Judas; fala de Jesus que caminha para a sua libertação total, uma libertação que implica a cruz, vista como vitória sobre o poder do mal. Aos discípulos que não podem segui-Lo Jesus deixa como testamento um mandamento chamado “novo” pela perfeição a qual ele o elevou. “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

Esta máxima de Jesus é bastante conhecida. O amor é a centralidade do cristianismo. Fala-se de amor em todos os lugares, religiosos ou não. Tornou-se comum fazer apologia ao amor como solução para os problemas mundiais. Todavia o Evangelho deste domingo traz uma condição que orienta para o tipo de amor que o Mestre nos pede… um modelo a ser seguido: o Seu amor! E o amor que Jesus amou e espalhou tem características próprias, únicas, palpáveis e inconfundíveis. Por isso Ele nos convida a amar como Ele amou e esta postura será a identidade do nosso discipulado, do nosso seguimento ao seu projeto, à realização de seus sonhos rumo a um Novo Céu e uma Nova Terra – a Nova Jerusalém.

Céus novos e terra nova são hoje a aspiração que faz bater o coração de todos os seres humanos empenhados em superar a atual ordem social e política tão cheia de injustiças e explorações. “Eis que faço novas todas as coisas”. – cf. 2a leitura – É esta a grande esperança cristã: um mundo novo!
Se associarmos a nossa esperança de um mundo novo – um Brasil novo, porque não? – ao mandamento de amarmos como Jesus nos ensinou e amou, temos a receita para que isso aconteça, ainda que demore um pouco, pois somos “lentos das ideias” e fracos de coração!
* Jesus amou os pobres, os pequenos e os mais vulneráveis, prometendo-lhes a primazia do Reino – não lhes deu apenas cestas básicas e roupas usadas…
* Jesus amou as mulheres, defendeu-as, deu-lhes voz, permitiu que o seguissem e fossem discípulas – não as apedrejou, nãos as maltratou nem matou-as em nome do seu amor…
* Jesus amou seu povo quando enfrentou os poderosos ao deparar-se com as falcatruas e exploração que praticavam, cobrando injustos impostos e criando leis que aviltavam a vida do povo trabalhador: quem não se lembra das “maldições” e dos seus “xingamentos”? – “Raça de víboras, sepulcros caiados…”
* Jesus amou diferenciadamente a humanidade, enfrentando os que queriam calá-lo por defender os indefesos e os injustiçados, não calou suas vozes com autoritarismo, com violência, com armas e com abuso de poder… dialogou com os que se opunham ao seu projeto e atravessaram o seu caminho… e por isso morreu, por amor ao que defendia…
* Jesus amava colocando o ser humano acima da lei, relativizando-a em nome do bem estar e da dignidade humanas e não criando leis que privilegiavam o capital e o lucro em detrimento do ser humano…
* Jesus amava assim…

Que possamos mudar o nosso jeito de amar que muitas vezes oprime, exclui, humilha, aliena, trai e mata… Só quando amarmos de uma forma “parecida” com a de Jesus poderemos dizer que somos seus discípulos e discípulas.

Quininha – mjfpinto@uol.com.br

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