A cruz do papa entre as vítimas de Brumadinho

“É muito importante começar pensando na proteção da vida, porque não é possível pensar no futuro, não é possível desenvolver um novo paradigma, um novo modelo, disse o Papa Francisco. E não é possível que a lei seja a lei do dinheiro e só do dinheiro.”

Papa Francisco enviou sua cruz peitoral às vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, onde 270 pessoas morreram no colapso da mina de resíduos de ferro da Vale. O secretário do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Mons. Duffé: “Nesse lugar ferido, está o coração da Igreja e da humanidade”.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada por Mondo e Missione, 05-20-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma peregrinação ao lugar de uma tragédia que encarna toda a urgência do convite à conversão presente na encíclica Laudato si’. É o sentido do gesto realizado nesse sábado pelo Mons. Bruno Marie Duffé, secretário do Dicastério vaticano para o Desenvolvimento Humano Integral, que levou a solidariedade do Papa Franciscoàs vítimas de Brumadinho, a área de Minas Gerais no Brasil devastada em janeiro pelo desastre da barragem da Vale, a gigante da mineração brasileira.

Para quem não se lembra, é o desastre da barragem de águas residuais da mina que ruiu, levando junto com a lama a vida de 270 pessoas; uma tragédia fruto do não respeito pelas normas de segurança mais elementares e ligada duplamente a uma demanda global por matérias-primas de baixo custo.

No sábado, o Mons. Duffé visitou essa terra ferida, junto com os familiares dos mortos no desastre ambiental. Eles deram origem a um “Sábado da compaixão e da solidariedade”. Não sem algumas dificuldades: segundo o que relatou a rede Iglesias y Mineria – o órgão eclesial que sensibiliza no Brasil sobre o tema do ambiente e das comunidades locais devastadas por uma atividade de extração mineral conduzida sem muitos escrúpulos – os vigilantes da Vale tentaram manter a procissão longe do grande deslizamento de terra.

 (Foto: CRB Nacional)

A oração liderada pelo Mons. Duffé, no entanto, ocorreu em uma das áreas afetadas pelo desastre. E aqui – como relata o blog local Fala Chico – o secretário do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral também levou um sinal pessoal da proximidade do Papa Francisco: ele entregou para a comunidade de Brumadinho a cruz peitoral de Bergoglio. Ela passará de mão em mão entre as famílias das vítimas antes de encontrar o seu lugar no memorial que a Arquidiocese de Belo Horizonte realizará em memória desse desastre ambiental.

(Foto: CRB Nacional)

“Consigo imaginar a dor de vocês – disse o Mons. Duffé – e trago, a pedido do papa, uma mensagem de esperança. Crendo que, no Córrego do Feijão [o epicentro da tragédia], está o coração da Igreja e da humanidade.”

O enviado do papa convidou a comunidade de Brumadinho a se tornar um “profeta que anuncia um tempo novo, que consola e lutam por um mundo mais justo, combatendo a ganância”.

“É muito importante começar pensando na proteção da vida, porque não é possível pensar no futuro, não é possível desenvolver um novo paradigma, um novo modelo, disse o Papa Francisco. E não é possível que a lei seja a lei do dinheiro e só do dinheiro.”

Fonte: http: www.ihu.unisinos.br

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