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Bendita e louvada seja essa santa romaria

Bendita e louvada seja essa santa romaria

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2ª romaria das águas e da terra da bacia do rio Doce: Bacia do Rio Doce, Nossa Casa Comum. Povos, Terra e Água clamam por justiça.

Aconteceu hoje, dia 04/6/2017, domingo de Pentecostes, em Caratinga, MG, a 2ª romaria das águas e da terra da bacia do rio Doce. Participaram mais de 10 mil romeiras e romeiras da mãe terra e da irmã água. Na Praça do Santuário de Caratinga, todos/as foram calorosamente acolhidos com boas vindas, café da manhã feito em mutirão e 100% agro-ecológico: bolo de fubá, mandioca cozida, sucos, café, leite, etc. Uma delícia

Após a abertura oficial feita pelo bispo da Diocese de Caratinga, Dom Emanuel, nós, as romeiras e os romeiros, marchamos 3 quilômetros a pé, embalados por músicas de luta e pela Via Sacra de Jesus Cristo ocorrendo atualmente também com os rios, córregos, grotas e nascentes e a mãe terra que compõem a bacia do rio Doce, que foi assassinada no maior crime ambiental do mundo no chamado Crime/desastre de Mariana na tarde do dia 05/11/2015 pelas mineradoras Samarco/VALE/BHP + governos cúmplices + poder judiciário conivente + mídia vassala do capital + omissos. Dezenove pessoas foram assassinadas pelo tsunami de lama tóxica oriunda do rompimento da barragem de Fundão.

Durante a Caminhada de compromisso e também durante a continuidade da Missa presidida pelo bispo Dom Emanuel denúncias contundentes contra os poderosos foram feitas. A indignação do povo está no topo. Muitas pessoas traziam um V no rosto feito de Lama. Dom Emanuel, na homilia, bradou: “Os poderosos transformaram 850 quilômetros – de Mariana ao mar no Espírito Santo – de rio Doce em um mar de lama. As consequências não são ainda mensuráveis. Os poderosos acabam com nossa terra e com nossas águas e, assim, humilham o povo. O agronegócio com hidronegócio consomem mais de 70% das nossas águas. Isso é inadmissível. Temos que lutar contra isso.” No final da Romaria foi lida uma Carta dos romeiros e romeiras da 2ª Romaria das águas e da terra da bacia do rio Doce, que clama para ser revitalizado. Foi anunciado que a 3ª Romaria das águas e da terra da Bacia do rio Doce acontecerá dia 03 de junho de 2018 na cidade de Ponte Nova, arquidiocese de Mariana. Eu, frei Gilvander, fui chamado ao microfone e convidamos todos/as para participarem da 20ª Romaria das águas e da terra do estado de Minas Gerais que terá sua Celebração Final dia 23 de julho de 2017, em Unaí, noroeste de MG, Diocese de Paracatu. Ao final, os/as 10 mil romeiros/as almoçaram gratuitamente em almoço coletivo e comunitário oferecido pelas associações de pequenos agricultores da região. Vivenciávamos ali um pedacinho do céu. “Bendita e louvada seja essa santa romaria. Bendito o povo que marcha …” lutando coletivamente por direitos sociais, por justiça social, justiça ambiental, justiça agrária, justiça urbana e, assim, construindo um futuro viável para as próximas gerações. Transmitimos ao vivo, via internet/facebook 27 minutos da 2ª Romaria e gravamos em vídeo uns 45 minutos que disponibilizaremos no youtube, no facebook e no watssap para ampliar o alcance profético da 2ª Romaria da bacia do rio que era Doce, mas foi azedado pelo sistema do capital. Abraço terno, grato a todos/as que organizaram muito bem a 2ª Romaria das águas e da terra da bacia do rio Doce.

 

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O DOMINGO DA MISERICÓRDIA… E O TOMÉ QUE EXISTE EM CADA UM DE NÓS Por: Toninho Kalunga Neste domingo, celebrado nas igrejas católicas do mundo inteiro como o Domingo da Misericórdia, somos convidados a revisitar um dos episódios mais provocadores do Evangelho: a dúvida de São Tomé. É o momento em que a Ressurreição de Jesus já aconteceu, mas nem todos conseguem acreditar. E Tomé, com sua honestidade desconcertante, afirma aquilo que muitos pensam, mas poucos têm coragem de dizer: “Se eu não vir… se eu não tocar… eu não acredito.” Talvez seja exatamente por isso que esse domingo nos incomode tanto. Porque ele revela algo profundo sobre nós e nosso tempo. Vivemos um tempo em que os interesses econômicos e políticos das elites resolveram dar um nome elegante para uma realidade brutal: chamaram de “polarização” aquilo que, na prática, tem apenas um polo ativo muito claro — a extrema direita. É nela que o projeto que organiza o ódio, naturaliza a desigualdade e transforma a dor do outro em instrumento de poder, sai do campo da teoria e vai para a prática destruidora e ceifadora de vidas. A pergunta é: onde está o outro lado polarizador? Porque, para que haja polarização deveria haver dois pólos! Mas há apenas um!! O lado dos que atacam os direitos humanos, os que impedem avanços nos direitos da classe trabalhadora, como o debate da escala 6×1 e a exploração das plataforma de aplicativos que chegam a ficar com 40% do valor do arrecadado pelos trabalhadores, entre tantos outros exemplos. E é justamente nesse contexto que o Evangelho nos chama a olhar para algo que parece cada vez mais distante do nosso mundo. A misericórdia . Que é também a única fonte capaz de enfrentar essa situação de uma polarização inexistente, que cega e faz com que os trabalhadores e trabalhadoras se incomodem mais com o fato de ricos pagarem impostos, do que em ver seus próprios próprios direitos serem diminuidos. Por isso, é necessário questionar… dentro desta suposta polarização onde está a misericórdia. . Ao encontrar a resposta, ela te levará ao confronto com os poderosos que sempre foram privilegiados, que não aceitam serem julgados e quando julgados e condenados, sempre buscam um jeito de serem anistiados! Bem ao contrário dos pobres que apodrecem nas cadeias sem direitos e sem manobras! Mas o que é, afinal, misericórdia?? Lembro-me de um padre da minha juventude, chamado Daniel Balzan, que tinha uma capacidade impressionante de nos ensinar o Evangelho, em suas homilias e formações, a partir do significado, da etimologia (origem) das palavras. E duas delas nunca mais saíram de mim. A primeira palavra é: MISERICÓRDIA Misericórdia, vem de duas palavras do latim, explicava ele: misereri e significa — ter piedade, sentir a dor do miserável cor, cordis — significa coração Ou seja: ter o coração tocado pela dor do outro. Miseris cordis A outra palavra que aprendi com Padre Daniel é COMPADECER , que também é uma palavra composta, que vem do latim compati : com — junto pati — sofrer Ou seja: sofrer com o outro. Isso significa que para o cristianismo, não é possível ser misericordioso, se antes, não tiver compaixão, se não se compadecer!! Isso não é uma teoria. Não é um discurso. É uma prática religiosa imposta aos seguidores de Cristo. Só se é cristão e cristã, se compreender essa premissa! É exatamente aí que entra o nosso querido Tomé. Porque, no fundo, não é apenas ele que duvida. BExiste um Tomé dentro de cada um de nós. Um cristianismo que exige prova, que pede milagre, que precisa “ver para crer”. Um cristianismo que só acredita quando pode tocar a ferida com os próprios dedos das mãos. E, é aqui está a contradição central do nosso tempo: seria aqui o ponto X da polarização? Muitos cristãos e cristãs dizem crer — mas não se compadecem. Muitos professam fé — mas não têm misericórdia. E não são misericordiosos porque não tem capacidade de se compadecer! No direito, chamaríamos isso de premissa maior e premissa menor! Sem a primeira, não há como buscar a segunda! Muitos falam em Jesus — mas não se incomodam com a dor do outro, o que forma uma fé egoísta, individual e rasa. E talvez essa seja a forma mais profunda de incredulidade. Porque acreditar na Ressurreição não é aceitar um fato extraordinário. Isso é fácil! Crer na Ressurreição de Cristo, significa assumir uma consequência radical (que vai a raiz): se Cristo vive e venceu a morte, então o sofrimento do outro não pode ser ignorado, porque Deus não ignorou o sofrimento de Cristo e Lhe deu a vitória sobre a morte! A extrema direita, no Brasil e no mundo, tem uma coerência perigosa: a incoerência de se dizer cristã enquanto nega, na prática, os fundamentos do Evangelho. Vejam o que vemos em templos Evangélicos: Nos últimos tempos, Pastores e supostos líderes religiosos com candidatos de Extrema DIreita ajoelhado recebendo “bençãos” de um séquito de apoiadores cujo candidato defende milicianos, que matam e exploram o povo e que tem em sua plataforma política a defesa da exclusão, a legitimação da violência por parte da polícia e o desprezo pela dor dos pobres — e, ainda assim, reivindicam o nome de Cristo como referência de uma suposta defesa da família e da pátria e de Deus! Eles não polarizam. Eles tem apenas um lado! O lado da manipulação da fé e do culto ao poder em nome de uma suposta defesa de Deus (como se Deus precisasse de defesa) da pátria e da família. A pergunta polarizadora é: Que Deus? Que família? E que Pátria? Se essas perguntas não forem honestamente respondidas, aí, sim… mesmo dizendo que crêem, já deixaram de acreditar. Porque isso não é apenas uma contradição política. É uma ruptura espiritual. Não é sem razão que o Rio de Janeiro atravessa as crises que atravessa! Não é por caso que o Brasil, sob Bolsonaro, passou pelas misérias e dificuldades que passou. Isso é fruto da incoerência destes homens que dizendo ser cristãos, agem a favor de Baal ! Tenho convicção de que essa prática religiosa é uma contradição plena com a vontade de Deus e com os mandamentos do Evangelho! Por isso, o Evangelho de hoje não condena Tomé. Pelo contrário: Jesus se apresenta a ele, mostra suas feridas e o convida a acreditar. Mas há um detalhe decisivo. As feridas continuam ali, nas mãos, pés e lado de Jesus. O Cristo ressuscitado não apaga as marcas da cruz. E talvez seja esse o maior ensinamento deste domingo: a fé verdadeira não nasce da ausência de dor, mas da capacidade de reconhecer a dor do outro como lugar de encontro com Deus. Por isso, o chamado que esse domingo nos faz é simples e, ao mesmo tempo, profundamente exigente: Menos milagre e mais misericórdia. É da misericórdia que nasce o Milagre! Menos prova e mais compaixão. É da partilha entre os pobres, com a dor dos oprimidos que nasce a libertação! Menos discurso em púlpitos de Igrejas que se transformam em palanques eleitorais e mais compromisso com políticas públicas que emanciam o povo. Ou seja, menos Welington Bezerra e mais Júlio Lancelotti! Porque, no fim das contas, não é o Tomé que duvida que está em risco. Somos nós — quando deixamos de sentir, de nos compadecer, de nos deixar tocar pela dor do mundo e de sermos misericordiosos. **Toninho Kalunga é Leigo Orionita, membro da Fraternidade Leiga Charles de Foucald e fundador do Núcleo Nacional da Teologia da Libertação POLÍTICA E RELIGIÃO, participa da Paróquia Santo Antonio, na Granja Viana, no Santuario São Luís Orione, em Cotia.

O Domingo da Misericórdia, celebrado pela Igreja Católica no segundo domingo da Páscoa, é o ponto de partida do