Celebramos e honramos nossos mártires e defensores da vida

Compromisso com o projeto de Deus levado ao extremo

Por Luis Miguel Modino

A celebração dos Mártires e Defensores da Vida que ocorreu nesta sexta-feira (26) levou os participantes do 14º Intereclesial das CEBs do Brasil a lembrar aqueles e aquelas que arriscaram suas vidas para fazer realidade o Reino de Deus, um mundo melhor para todos e todas, de quem foi “capaz de vir encontro aos terríveis efeitos da cultura do descarte”, como lembrava o Papa em sua mensagem ao Intereclesial.

Saindo do Moringão, onde Marcelo Barros y la Reverenda da Igreja Anglicana Lucia Dal Pont, motivaram a caminhada, os delegados e delegadas do 14º Intereclesial das CEBs percorreram as ruas de Londrina carregando banners, faixas, estandartes, fotografias e nomes daqueles que entregaram sua vida. Os cantos e falas trouxeram na memória pessoas que já participaram da caminhada das comunidades, que entenderam que a vida faz mais sentido quando a gente defende a vida.

O martírio não é uma situação que tenha ficado no passado. Ainda hoje são muitos os perseguidos pelo fato de defender a vida. Homens e mulheres que, numa cultura marcada pelo individualismo, não tiveram medo de olhar o sofrimento alheio e se comprometer, de mostrar para os outros que a vida em comunidade, partilhada, ajuda a encontrarem melhor seu sentido pleno.

A chegada na Praça da Seringueira, esteve acompanhada por uma apresentação de Maracatu, ritmo próprio do povo negro, tantas vezes martirizado ao longo da história do Brasil e da humanidade. A mesma coisa poderia se dizer dos povos indígenas, o que foi denunciado pelo Coordenador do Movimento Indígena do Rio Grande do Sul, quem em suas palavras dava a conhecer aos presentes os ataques contra a vida tantas vezes sofridos pelos seus parentes.

Este momento, sempre importante na vida dos intereclesiais, foi uma grande oportunidade para celebrar com profunda reverência o sangue derramado e, ao mesmo tempo, agradecer a Deus pelo compromisso até o extremo, ajudando entender que suas vidas se fazem Vida em nossas vidas.

Ao longo de dez momentos, iluminados por tochas, foram lembrados os mártires e defensores das florestas e das águas, das causas indígenas, dos negros e negras, da terra e os lavradores, da luta operaria, da justiça, das juventudes, dos movimentos populares e sociais, da intolerância religiosa.

Nomes concretos, de homens e mulheres, alguns conhecidos, como Irmã Dorothy, Chico Mendes, Padre Ezequiel Ramin, Margarida Alves, Padre Josimo, mas também anônimos, gente que lutou em suas comunidades, em seu entorno, que em seus rostos e vidas se descobre a imagem daquele que deu a vida para a salvação da humanidade. Tudo foi encerrado com o acendimento de uma grande fogueira pelos povos indígenas, acompanhado de danças rituais, fogo que brotou das tochas presentes no momento de oração.

Os alimentos partilhados, sinal desse sustento que acompanha a caminhada das comunidades eclesiais de base, se fizeram presentes no final da celebração. Nas CEBs muitos encontraram e continuam encontrando a força, o alimento para defender a vida, que em ocasiões teve como consequência o martírio, mas que muitas outras fez sofrer perseguição de parte daqueles que nunca se preocuparam com o projeto de Deus e sim, serviram-se dele para fazer realidade seus planos.

 

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