CONSCIÊNCIA NEGRA INDIGNADA COM O BRASIL

CONSCIÊNCIA NEGRA INDIGNADA COM O BRASIL

Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado no Brasil , em 20 de novembro. Foi criado em 2003 e instituído pela a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A ocasião é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro  na sociedade brasileira.  A data foi escolhida para fazer memória da morte de ZUMBI DOS PALMARES, também de outros negros e negras que lutaram contra toda forma de escravidão e contribuíram na construção da história do povo brasileiro.

O Mês da Consciência Negra de 2016 enfrentará um momento aterrorizador, em razão do desmonte do Estado Social de Direito que acontece em nosso país, e que implica na retirada de direitos dos mais pobres com um já conhecido pacote de leis regressivas, através da possível aprovação da PEC 241 (Proposta de Ementa Constitucional), que tem como objetivo congelar por 20 anos os investimentos nos direitos sociais, como saúde, segurança e educação.  Tal situação exigirá a mais reflexão e intervenção da população negra, dos movimentos sociais e da sociedade civil como um todo, visto que os negros são os mais prejudicados, pois pelas condições de discriminação, negação de direitos, criminalização e violência a que foram e são historicamente submetidos, ainda necessitam de políticas públicas de inclusão e igualdade racial.

O jeito de ser do Brasil mostra que, culturalmente os negros são considerados inferiores aos brancos e com baixo potencial para contribuir com o desenvolvimento social, político, religioso e econômico do país, por isso querem retirar os   poucos direitos e avanços já conquistados. Segundo sociólogo argentino Carlos Hasenbalg, “a população negra do Brasil subdesenvolvido teve poucas oportunidades de ascender à hierarquia ocupacional, permanecendo confinada nas ocupações agrícolas não qualificadas”. O que ainda acontece nos grandes centros urbanos, onde assumem os serviços gerais e os subempregos.

Esta afirmação evidencia-se no quadro comparativo de indicadores de resultado sobre a participação de brancos e negros nas áreas profissionais mais elevadas da sociedade e na ocupação dos espaços de poder, feito pelo levantamento do site: temas.folha.uol.com.br/desigualdade-no-brasil em São Paulo, que mostra a disparidade existe entre as duas raças:

   População no Brasil segundo o Senso de 2010: 47,7% Branca; 43,1% Parda; 7,6% Preta; 1,1% Amarela e 0,4% Indígena; (auto declaração)

  • Deputados Federais eleitos em 2014:79,9% Brancos; 15,8% Pardos e 4,3% Negros. Empresários – Presidentes das 20 maiores empresas do Brasil, segundo ranking Valor 1000 de 2014: 95% Brancos e 5% Pardos. Médicos
  • Presidentes dos Conselhos Regionais e do federal de Medicina: 75% Brancos; 21,4% Pardos e 3,6% Amarelos.
  •  Atores das cincos novelas inéditas em exibição na TV aberta: 84,6% Brancos; 8,1% Pardos; 6,9% Negros e 0,4% Amarelos.
  • Acadêmicos – Reitores e vice-reitores das 25 universidades mais bem avaliadas no Ranking Universitário Folha: 89,8% Brancos; 8,2% Pardos e 2% Negros. Governadores eleitos em 2014: 74,1% Brancos; 22,2% Pardos e 3,7% Amarelos.

A Câmara Notícias publicou no dia 24 de fevereiro de 2014, os dados de 2007 a 2012 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que os negros estão fora das carreiras mais valorizadas, embora ocupem quase metade das vagas no serviço público, negros têm representação bem menor nos cargos mais altos e com melhor remuneração. O resultado do levantamento quantitativo mostra a diferença que existe entre brancos e negros na participação de algumas carreiras do serviço público federal.

Resultado da pesquisadas carreiras mais valorizadas no Brasil:

  • Diplomacia: 94,1% Brancos e 5,9% Negros.
  • Comissão de Valores Mobiliários (nível superior): 93,8% Brancos e 6,3% Negros.
  • Auditoria da Receita Federal: 87,7% Brancos e 12,3% Negros.
  • Oficial de chancelaria: 86,7% Brancos e 13,3% Negros.
  • Procuradoria da Fazenda Nacional: 85,8% Brancos e 14,2% Negros.
  • Defensoria Pública: 80,5% Brancos e 19,5% Negros.

Os números expressam a realidade brasileira e sua desigualdade social, também mostram o quanto   a sociedade racista e classista brasileira está atrasada no tocante a igualdade de condições e oportunidades. Os negros não conseguem alçar cargos de chefia ou poder nas diversas áreas, sejam sociais econômicas, políticas, educativas, profissionais e material. Como afirma a socióloga Maria Nilza da Silva: “Durante séculos, a sociedade vinculou aos brancos, de origem europeia ou americana, as características de poder, dinheiro, ascensão social e inteligência. Desde a época do império, a eles, considerados como iguais racionalmente e socialmente, foram distribuídos os benefícios e as riquezas que haviam no nosso país. Aos negros sobraram a escravidão e, posteriormente, a exploração da mão-de-obra barata. Aos seus descendentes, mulatos, nordestinos e índios, sempre excluídos do sistema, couberam a escravidão e a subserviência.”

Não existe democracia em um país como o Brasil, que exclui os negros da vida social, econômica, política, e desconsidera sua história e sua cultura, retirando os poucos direitos já conquistados e constitucionalmente garantidos. Portanto a Consciência Negra está indignada com o Brasil e essa forma perversa de governar, que privilegia a elite branca e alimenta às custas de muitos a fome de poder de uns poucos.

 Pe. José Cristiano Bento dos Santos

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