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Reflexões da Palavra | Festa da Ascensão do Senhor – Ano B

Leituras: At 1,1-11 – Sl 46 – Ef 1,17-23 – Mc 16,15-20

Por Quininha Fernandes Pinto, do Regional Leste 1.

A fórmula do nosso Creio/Credo: “Ressuscitou, subiu aos céus, está sentado à direita do Pai”, nas nossas celebrações eucarísticas, exprime a fé pessoal da Igreja no destino de Jesus de Nazaré. Este homem com o qual os apóstolos e os que o seguiram comeram e beberam durante a sua existência terrena, “tornou-se Senhor”, depois de sua morte, porque o Pai o associou definitivamente à sua Vida, ao seu poder sobre a humanidade e sobre o mundo. Isto cremos e celebramos nesta festa da Ascensão = subida aos céus. Afirmamos que Jesus subiu aos céus! Interpretando esta festa teologicamente, a Ascensão de Jesus é a nossa ascensão; já que o Corpo – para a fé cristã – é convidado a elevar-se até a sua glória, a permanecer em Deus. Afirmar que a humanidade, na pessoa do Cristo, já está no céu, significa contestar e desconstruir as imagens espontâneas de um “céu espacial” – lá em cima, para além das estrelas – e de uma felicidade eterna que, mágica e repentinamente, começaria depois desta vida, deste tempo…
Para Jesus, o céu é a participação plena na vida de Deus, de um ser humano verdadeiro, possuindo a mesma matéria e a mesma história de todos nós. Trata-se de uma relação nova entre o Criador e a criatura numa total transparência, livre dos limites do tempo e das dificuldades da condição terrena, como a morte, a dor, a fome, o sofrimento e a doença.

Para nós será assim, um dia, quando se manifestar abertamente aquilo que já somos; quando o corpo não mais for um obstáculo, no sentido de finitude, dependência, vulnerabilidade, mas um perfeito meio de comunicação livre da dor e da morte.

Um céu assim não é simplesmente a recompensa por uma vida justa e boa. Nem é tampouco um narcótico para as pessoas passivas e resignadas, um álibi que motiva para o compromisso de trabalhar neste mundo pela realização daqueles valores que acreditamos, como a paz, a justiça a liberdade e a comunhão… Céu é um estado de vida, é um jeito de viver, é a realização plena do sonho de Deus para nós… Céu é o sentir-se realizado por ter feito aquilo que deveria fazer; céu é viver a plenitude do humano. O céu pode começar aqui, já e agora…

Por isso na leitura dos Atos dos Apóstolos deste domingo, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, lamentando a partida de Jesus e alimentando um saudosismo estéril e passivo. A Ascensão de Jesus representa o fim da sua missão! Sim, sua missão terminou, por mais que isso doa e nos choque, o que Jesus tinha que fazer, Ele fez! Não virá fazer mais nada…. agora começa a nossa missão! Prometeu ajuda – celebraremos isto na Festa de Pentecostes – mas o fazer é nosso! É Ele quem diz antes de partir: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda a criatura!”. E para isso, para anunciar o evangelho, não podemos ficar olhando para o céu, rezando e pedindo ao Senhor que resolva os problemas que nos afligem. Devemos “olhar para baixo”: volver o nosso olhar “para baixo”, para as cidades, para as favelas, para os que estão caídos, para os pequenos, para os famintos, para os encarcerados, para os pobres, para os desprezados… volver o nosso olhar e evangelizar significa anunciar a existência do céu, fazê-los crer que há um Deus que os ama e um Irmão que deu sua vida por eles, por nós! Evangelizar é fazer acontecer já, aqui e agora o Reino de Deus, é trazer o céu à terra, pela experiência do amor, da justiça e da fraternidade entre nós! É anunciar a força da Vida sobre as forças da morte e do mal. Como estamos precisando desta Boa Notícia nestes tempos tão sombrios e difíceis! Apressemo-nos a anunciá-la.

Que seja assim. Beijos no coração.

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