Reunião Ampliada das CEBs Regional NE 3

Precisamos estar animadas e animados, estudar o Evangelho, estar nas comunidades, não podemos perder de vista o projeto de Igreja que inspira nossa espiritualidade.

Chegamos em mais uma Estação no dia 03 de março de 2017, agora, na Casa Recanto Maria de Nazaré, na Arquidiocese de Feira de Santana no estado da Bahia, estacionamos para discutir caminhos trilhados pelas CEBs do Regional Nordeste 3. Em cada um dos 16 “vagões-dioceses”, vieram pessoas com suas bagagens materiais e de vida, afim de buscar ânimo para mais um tempo de caminhada. Sob o tema: “Experiência e Espiritualidade das CEBs” estávamos presentes 59 animadoras e animadores das dioceses de Serrinha, Bom Jesus da Lapa, Ruy Barbosa, Ilhéus, Jequié, Juazeiro, Irecê, Caetité, Camaçari, Senhor do Bomfim, Livramento, Barra, Itabuna, das Arquidioceses de Feira de Santana e Salvador, todas da Bahia e a Arquidiocese de Aracaju – SE, além da presença do Arcebispo de Feira de Santana D. Zanoni, do bispo referencial da CEBs, D. Itamar Vian,  diversos seminaristas das dioceses de Rui Barbosa, Feira de Santana, além de padres de Serrinha e Irecê,  a CPT, o CIMI e a PJ também  estiveram representados.

Entendendo que Igreja é comunidade, e que tem o toque do nós, ouvimos as experiências socializadas por Ir. Inês (Feira de Santana), Ir. Maria Besen (JUAZEIRO) e Pe. Antonio Oliveira (Salvador), elas nos fizeram pensar qual espírito moveu e ainda os move para a missão de vida e que a simbologia presente em momentos como este, neste fazer memória, é o que muito nos anima e encoraja para nossa caminhada, pois “Enquanto Deus me der vida, eu levarei comigo esperança e fé”.

Durante esta estadia, discutimos nossas vivências e comunicações na chamada Era da Informação. Apegamo-nos nas curtidas, visualizadas, valorizamos mais o compartilhar, a aparência, o virtual, o digital. Neste novo comportamento social, o desejo por multidões é latente e esquecemos de vivenciar nossas relações de forma mais intensa, completa e pessoal, e assim queremos conduzir nossas comunidades. Esquecemos que elas não atraem multidões, a exemplo das primeiras comunidades, e acabamos perdendo muito do sentido missionário, passando a fincar mais o pé na fé, com medo de botar a fé e o pé na vida.

Encantadas e encantados pelo mundo virtual, nos desconectamos com nossos semelhantes, nos desconectamos com a natureza, esquecemos muitas vezes que a comunicação se faz corpo a corpo também, e assim deixamos de conhecer a/o outra/o pelo olhar, esquecemos do diálogo. Nos perdemos em mensagens muitas vezes duvidosas e maldosas e esquecemos de comunicar a nossa fé como instrumento de libertação. Assim, ficou exposto que nosso desafio é utilizar das mais diversas formas de comunicação contemporâneas para também organizar nosso jeito de ser Igreja, sem perder de vista que devemos estar no meio do povo.

Estar no meio das/os pobres, das/os excluídas e excluídos, utilizar a catequese como comunicação de fé. Entender que erramos quando não trabalhamos o ecumenismo em nossas catequeses, quando esquecemos de comunicar para a fé de Cristo incorrendo no risco de doutrinar para uma instituição, que violentamos quando não observamos as muitas relações de gênero, as diversas configurações familiares e muitas vezes, a inexistência desta instituição social. Observamos mais uma vez, que devemos ser espaços de inclusão e participação, que não podemos condenar a história da/o outra/o, com isso, exercitar o diálogo. E ainda, que precisamos também estar animadas e animados para estudar o Evangelho e estar nas comunidades, pois não podemos perder de vista o projeto de Igreja do qual precisamos e o que inspira nossa espiritualidade.

Nos despedimos de mais uma Estação, tendo em vista que nossa missão é “formar” mentalidades, aspecto importante na atual conjuntura, quando perdemos muitas de nossas lideranças e referenciais de luta, quando nossas riquezas e nossos direitos estão sendo solapados em nome do capital internacional após o Golpe de Estado que ainda está em curso e enfrentar também os muitos desafios urbanos. Assim, fomos chamadas e chamados a promover o crescimento interno das nossas equipes buscando animar, estudar, renovar e resgatar o espírito das CEBs, além disso, provocar as equipes para que não formemos uma elite em seu interior, para que haja crescimento do grupo bem como o protagonismo e entender que cada pessoa, com sua missão específica, é corresponsável pela vida da Igreja.

Após três dias de Encontro, com estas reflexões, animadas e animados pelo Espírito, retornamos para nossas Estações de origem, para nossas comunidades, realizar a missão para a qual somos convidadas e convidados, e em outubro, seguiremos à Estação de Livramento de Nossa Senhora. Amém, Axé, Awere, Aleluia!!

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